05 outubro 2014

[Resenha] Minha Vez de Brilhar (Erin E. Moulton)


Em uma noite, Indie faz um pedido para uma estrela. Ela quer muito reencontrar a sua lagosta de estimação, e também quer que sua irmã Bibi volte a gostar dela. Mas ter os seus desejos realizados pode exigir dedicação integral! Indie trabalha no teatro durante o dia, mostrando a Bibi e seus amigos o quanto ela pode ser útil. À noite, ela procura sua lagosta perdida, e para isso conta com a ajuda de seu novo grande amigo, Owen. Tudo vai bem até que Bibi e sua turma começam a pegar no pé de Owen, o maior exemplo de nerd e futuro loser. Será que Indie vai conseguir manter em segredo sua amizade com Owen? Será que, para ser uma pessoa melhor, Indie precisa mesmo ser diferente? (Skoob)

MOULTON, Erin E. Minha vez de brilhar. Tradução de Bianca Bold. Ribeirão Preto/SP: Editora Novo Conceito, 2014, 288 p.
Skoob (livro)
Skoob Fanpage (autora)

O que importa é quem você conhece. (p. 58)
Assim que comecei a ler, fiquei impressionada com o livro de tom infantil, despretensioso, leitura leve e aparentemente indicada para crianças. Mas, assim como as histórias infantis de Carrol são recheadas de críticas sociais bem direcionadas ao mundo adulto, através de seus personagens, Erin - tenha ela criado a história com este propósito ou não - toca determinados valores americanos que se têm propagado desmedidamente. Ela fala de perda, de amor e de fé. De sonhos de criança, da ousadia das nossas primeiras aventuras.
- Quero dizer que, se a vida está péssima, não espere que fique ótima só porque fez um pedido a uma estrela cadente. Não passa de um meteoro entrando na atmosfera terrestre. Ele queima ao tocar a atmosfera, o que cria aquele rastro. Não há nada de mágico nisso. É ciência (...) superstições como esta podem fazer as pessoas se sentirem melhor no curto prazo, mas não têm fundamento verdadeiro na realidade.
- Talvez - digo. - Mas, quando você não tem nada a perder, que mal faz pedir algo a umas estrelas cadentes? (pp. 123-124)
Existe a eterna busca pelo sucesso, o alcance da perfeição, a ambição pela ascendência social e o desejo incontrolável de ser reconhecido como parte de um grupo, não importa sob que circunstâncias, como era o caso de Bibi, a ambiciosa irmã da protagonista. Vemos ainda a audácia de uma criança que, a despeito de suas limitações e do respeito que deve aos pais, é capaz de contrariar a vontade deles e sair em segredo em busca de um objetivo traçado: o que, no caso de Indie, era encontrar sua lagosta dourada, perdida no mar. Encontramos no livro o estereótipo do nerd, Owen, que não tem muitos amigos, mas é um amigo inesquecível e tem papel crucial na resolução dos conflitos. E temos Kelsey, a patricinha, que classifica e discrimina pessoas segundo seus padrões distorcidos. Mas o livro traz mensagens importantes, surpreendentes, que você pode perder, se subestimar a leitura.
- Sabe, minha tia Peg sempre diz que, para conseguir realizar algo, 20% é o que temos de fazer e 80% é o que temos de acreditar... (p. 211)
Quem se lembra da inteligência fora do normal das crianças em "A Jornada", vai reconhecer aqui o estilo de Erin E. Moulton: ela faz, das suas crianças, "batutinhas", que nos espantam com seu discurso e reações inesperadas. E, surpreendentemente, de uma história que parece contar com uma narrativa simplória e sem atrativos, do ponto de vista mais crítico, você se flagra duas, três, várias vezes parando de ler para pensar no que uma daquelas crianças acabou de dizer ou fazer.
Você e Kelsey só tiram sarro dos problemas dos outros porque não conseguem resolver os seus próprios. (p. 272)
Recebi este livro tão desejado em parceria com a Novo Conceito, que já publicou outro livro de Erin, A Jornada.

NOTA: 3/5


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