10 julho 2015

[RESENHA] Corações Feridos (Louisa Reid)



Hephzibah e Rebecca são irmãs gêmeas, mas muito diferentes. Enquanto Hephzi é linda e voluntariosa, Reb sofre da Síndrome de Treacher Collins — que deformou enormemente seu rosto — e é mais cuidadosa. Apesar de suas diferenças, as garotas são como quaisquer irmãs: implicam uma com a outra, mas se amam e se defendem. E também guardam um segredo terrível como só irmãos conseguem guardar. Um segredo que esconde o que acontece quando seu pai, um religioso fanático, tranca a porta de casa. No entanto, quando a ousada Hephzibah começa a vislumbrar a possibilidade de escapar da opressão em que vive, os segredos que rondam sua família cobram-lhe um preço alto: seu trágico fim. E só Rebecca, que esteve o tempo todo ao lado da irmã, sabe a verdadeira causa de sua morte... Hephzi sonhara escapar, mas falhara. Será que Rebecca poderia encontrar, finalmente, a liberdade? (Skoob)
REID, Louisa. Corações feridos. Ribeirão Preto: Novo Conceito, 2013, 256 p.
Skoob (Livro)
Fanpage (Autor)

"Hoje eles tentaram me fazer ir ao funeral da minha irmã. E eu, por fim, tive de ceder. (...) Ela sempre foi maior. Nasceu primeiro, mais forte, mais bonita, a gêmea popular. Eu vivi à sombra dela por 16 anos e gostei do frio e da escuridão; era um lugar seguro para esconder-me. Agora eu estremecia no ar pesado de janeiro. Era o primeiro dia do ano-novo, e minha irmã estava morta havia uma semana" (11)
Estou chocada e encantada com tudo que li, do livro de estreia de Reid, até agora. Rebecca lida com a morte de sua irmã gêmea, Hephzibah, de forma não muito usual. É uma menina diferente, especial, que nasceu com uma síndrome causadora de deformidades em seu rosto. Seu pai é um fanático religioso dos piores, um homem que deixaria sem cabelos até o pastor de "Footloose". 

Reb apresenta fortes características de estresse pós-traumático e não consegue seguir em frente ou colocar a cabeça em nenhuma ideia que deixe de envolver a fuga de casa. O fantasma de Hephz a ajuda, com conselhos de desafio, que podem colocá-la em problemas. Ela ouvirá? As duas tinham uma relação estranha: enquanto a bela Hephz tinha vergonha da irmã e adorava quando ninguém percebia que elas eram parentes, ou mesmo gêmeas, Reb venerava a gêmea, e se sentia à sombra dela, tinha medo do pai, mas era capaz de encobrir todos os seus pulos.
... Rebecca me daria cobertura, eu podia confiar-lhe minha vida. (41)
É uma história sobre coisas que são horríveis demais para serem contadas, mas a autora nos relata com sentimento, com imersão na personalidade de cada personagem, de tal forma que parecem diferentes pessoas escrevendo para nós. Ela é contada de diferentes pontos de vista: o ANTES, de Hephz e o DEPOIS, de Rebecca. É uma história muito louca, se pararmos para pensar em garotas sendo trancafiadas em casa na nossa era, nos anos do Facebook.

É o livro que você para de ler porque precisa fazer outras coisas durante o dia, mas que te mantém pensando no que leu por muito tempo. A Vó materna das meninas é um personagem sensacional, mesmo da forma como participou do livro. É notável o grito silencioso de ajuda que aquelas meninas tentavam despertar na família, na vizinhança e na escola - um grito jamais verbalizado, nunca ouvido. A cumplicidade entre as irmãs, nem sempre mútua em intensidade, é um ponto importante da história.
"Mais que tudo, Hephzi queria vingança. Ainda não me atrevi a revelar seu segredo, mas talvez um dia, se minha alma encontrar um lugar para respirar, eu o faça." (72)

É um livro que choca, faz a gente perder o sono e repensar regras sociais, problemas de família, a questão do incesto, de abusos e violência doméstica, e da passividade diante de um problema alheio. Mesmo que o final tenha me deixado muito confusa - ainda sem a certeza de que li o que li, valeu a pena a leitura.



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