08 julho 2015

[RESENHA] Fênix A Ilha (John Dixon)


Sem telefone. Sem sms. Sem e-mail. Sem TV. Sem internet. Sem saída. Bem-vindo a Fênix: A Ilha. Na teoria, ela é um campo de treinamento para adolescentes problemáticos. Porém, os segredos da ilha e sua floresta são tão vastos quanto mortais. Carl Freeman sempre defendeu os excluídos e sempre enfrentou, com boa vontade, os valentões. Mas o que acontece quando você é o excluído e o poder está com aqueles que são perversos?

DIXON, John. FÊNIX: A ILHA. Ribeirão Preto: Novo Conceito, 2014, 336p.




“- Minha decisão de facilitar sua direção pode parecer ousada, mas isso não deveria incomodar alguém como você. A vida é uma série de escolhas. As pessoas fingem que essas escolhas são simples, certo versus errado, bom versus mal, cara ou coroa, você escolhe, mas, no mundo real, enfrentamos dilemas. Não há respostas simples. Nada é preto ou branco. Tudo é cinza.” (p. 197)

Esta citação resume bem o livro para mim.



Órfãos são levados a uma Ilha de localização imprecisa, em algum ponto do mundo. Nada de telefones, correios, nenhum tipo de comunicação com o mundo exterior – até porque... quem vai se lembrar deles? 



O livro é Fenomenal. Tenho paixão por histórias de confinamento, ilhas em locais estranhos, perdidos, sobreviventes na selva. E esta reúne ainda outros elementos muito interessantes, como isolamento em uma ilha, o debate sobre o bullying, controle de raiva, um panorama de tom distópico, atraente. Curti muito as referências externas, como Harry Potter; a crítica ao preconceito racial nas ruas; a vida entre gangues; as guerras que ocorrem no mundo na atualidade. Os personagens conseguiram me cativar em questão de poucas palavras.


“ (...)
Carl gargalhou. Era perfeito.
- Você é ótimo com imitações!
Ross deu de ombros.
- Quando se tem o meu tamanho, esse tipo de coisa tem que estar no kit de sobrevivência.” (p. 53)


Carl é um protagonista que me despertou tanta simpatia quanto “o melhor amigo do protagonista”. Um menino de origem humilde, com um passado traumático, difícil, e que se tornou o valentão do boxe para lutar contra os bullies covardes. Ross é um pequeno fofo, super inteligente e engraçado e que até hoje me faz pensar no que, de fato, o mandou para aquele lugar, quando era uma pessoa de caráter tão agradável. Octavia representou uma grande surpresa para mim, mas um nível de compreensão nos atinge ao avançarmos na história dela. 
Carl é um pugilista bem treinado e campeão desde os 16 anos. Conta com vários títulos de boxe e sempre busca ultrapassar seus limites, desafiando o sistema e pagando, por isso, um alto preço. Começa fazendo justiça com as próprias mãos, enfrentando valentões que, um dia, o amedrontaram. Posteriormente, ele viu que ainda não conhecia nada do mundo. Ele respira, vive o boxe.


“Outra lição que havia aprendido no boxe: se você quer ganhar, não pode se deixar cegar pelo medo nem pela esperança. Tem de ver as coisas como elas realmente são e fazer as escolhas e ajustes certos.” (p. 136)


A figura do pai de Carl esteve tão presente quanto ausente, por meio do próprio jovem. Sábio, forte, leal e um homem de palavra e honra, ofereceu grande contribuição ao livro. Dele, vem tudo que é Carl Freeman.


“... um dia, quando crescer, caberá a você protege-las, todas as pessoas que não sabem se defender sozinhas. Um bom homem não se entrega ao medo quando há trabalho a fazer e alguém precisa dele.” (p. 141)



Uma das melhores adições à história foi o Ancião, que representou uma fonte de confiança e, ao mesmo tempo, um elo sem instabilidade na história, para Carl. O que tem de sábio, tem de enigmático. Os diálogos dele com Carl foram os meus favoritos. 
O livro faz críticas também à infância dos nossos dias, mostrando uma visão bem negativa da criação parental, no século XXI.


“Você adquire algumas coisas e depois quer mais. E mais. E mais. Para as pessoas comuns, possuir coisas bonitas fornece o único senso de poder que vão conhecer em toda a sua vida. A propriedade é venenosa, Carl. Nunca acumule coisas apenas para tê-las e nunca confunda posses com poder” (p. 171)



O livro avança em ação, frenesi e crueldade, indo além da proposta inicial e mostrando que há um plano maquiavélico por trás de tudo aquilo que percebemos no começo. Isso é óbvio. 
Mas a forma como a história progride é o que chama a atenção, trazendo-nos importantes reflexões acerca da Justiça, com passagens memoráveis.


“A vida é difícil... e, às vezes, difícil de entender. Vitória e derrota. Prazer e dor. Bênçãos e maldições (...) O truque é continuar em frente, meu jovem amigo, continuar vivendo.” (p. 181)



Definitivamente, um dos melhores que já li. Apesar de inspirar a série de TV Intelligence, o livro não tem muitas semelhanças com o programa adaptado, e sua leitura é indispensável.



Fiquei absolutamente chocada com o desenrolar dos fatos, o andamento do livro: cruel, forte, assustador, revoltante. E que desfecho apoteótico!! Está apenas começando.

NOTA MÁXIMA!


“A raiva é uma resposta natural a um mundo insano, onde escolas que temem a opinião pública alegam ‘tolerância zero’ ao bullying, mas castigam um rapaz por demonstrar exatamente essa falta de tolerância.” (p. 198)



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