22 julho 2015

[Resenha] O Guia do Mochileiro das Galáxias (Douglas Adams)


Considerado um dos maiores clássicos da FC, O Guia do Mochileiro das Galáxias tem encantado gerações ao redor do mundo com seu humor afiado. Arthur Dent tem sua casa e seu planeta [sim, a Terra!] destruídos em um mesmo dia, e parte pela galáxia com seu amigo Ford Prefect, que acaba de se revelar natural de um planeta próximo a Betelgeuse; Ford era um alien vivendo disfarçado de ator desempregado enquanto pesquisava para a nova edição do Guia do Mochileiro das Galáxias - o melhor guia de viagens interplanetário. Arthur e o amigo ET escapam da destruição da Terra pegando carona numa nave alienígena, graças aos conhecimentos de Prefect. Mestre da sátira, Douglas Adams cria personagens inesquecíveis e situações mirabolantes para debochar da burocracia, dos políticos, da "alta cultura" e de diversas instituições atuais. Seu livro, que trata em última instância da busca do sentido da vida, não só diverte como também faz raciocinar. E muito.
O Guia do Mochileiro das Galáxias. Original: The HitchHiker's Guide to the Galaxy. Douglas ADAMS. Série: O Guia do Mochileiro das Galáxias, vol.1. Ed. Arqueiro, 2009, 208 p. Tradução: Carlos Irineu da Costa.
SKOOB FANPAGE (Livro)
SKOOB FANPAGE (Douglas Adams)



Imagine o cenário: Não apenas não estamos sozinhos no Universo, como há todo um sistema governamental galáctico, que funciona sem o nosso pleno conhecimento [mas está tudo à sua disposição, se quiser informar-se]. E tem mais: alguém decidiu que a galáxia precisava de uma via expressa hiperespacial, e o planeta Terra era apenas um detalhe no caminho, logo, ela precisava ser demolida.

Don't Panic. A resposta para a Vida, o Universo e Tudo Mais não é o que realmente importa, mas a pergunta certa a ser feita a partir dela. Isso, e andar sempre com a sua toalha, item fundamental a todo mochileiro!



O Guia do Mochileiro das Galáxias faz algumas afirmações a respeito das toalhas. Segundo ele, a toalha é um dos objetos mais úteis para um mochileiro interestelar. Em parte devido ao seu valor prático: (...) você pode umedecê-la e utilizá-la para lutar em um combate corpo a corpo; enrolá-la em torno da cabeça para proteger-se de emanações tóxicas ou para evitar o olhar da Terrível Besta Voraz de Traal (um animal estonteantemente burro, que acha que, se você não pode vê-lo, ele também não pode ver você – estúpido feito uma anta, mas muito, muito voraz); você pode agitar a toalha em situações de emergência para pedir socorro; e, naturalmente, pode usá-la para enxugar-se com ela se ainda estiver razoavelmente limpa. Porém o mais importante é o imenso valor psicológico da toalha. Por algum motivo, quando um estrito (isto é, um não-mochileiro) descobre que um mochileiro tem uma toalha, ele automaticamente conclui que ele tem também escova de dentes, esponja, sabonete, lata de biscoitos, garrafinha de aguardente, bússola, mapa, barbante, repelente, capa de chuva, traje espacial, etc., etc.Além disso, o estrito terá prazer em emprestar ao mochileiro qualquer um desses objetos, ou muitos outros, que o mochileiro por acaso tenha “acidentalmente perdido”. O que o estrito vai pensar é que, se um sujeito é capaz de rodar por toda a galáxia, acampar, pedir carona, lutar contra terríveis obstáculos, dar a volta por cima e ainda assim saber onde está a sua toalha, esse sujeito claramente merece respeito. (P. 36)


O Guia do Mochileiro das Galáxias é o primeiro livro daquela que começou como uma trilogia, passou a uma série de 5 livros e hoje tem 6 volumes lançados. Clássico da FC, é uma ode ao humor inteligente, de que Douglas era plenamente dotado. Surgiu como um programa de rádio, passou para fitas K-7, virou livro e, enfim, foi para a TV britânica. Ainda conta com uma produção para cinema, de 2005, com Martin Freeman, Bill Nighy, Zooey Deschannel e Alan Rickman.

Durante esta aventura espacial hilária, o autor [de quem se dizia ser capaz de fazer tudo, menos escrever, e na realidade guardava uma inteligência acima da média] nos apresenta seres estranhos com nomes difíceis, planetas incríveis e situações surreais, naquela que pode ser a jornada mais louca e criativa já empreendida fora da Terra. Usando do melhor do sarcasmo, ele tece críticas sagazes à política, à sociedade, à burocracia e, bem... muitas instituições mais!


Uma das coisas que Ford Prefect jamais conseguiu entender em relação aos seres humanos era seu hábito de afirmar e repetir continuamente o óbvio (...) Ford elaborou uma teoria para explicar esse estranho comportamento. Se os humanos não ficarem constantemente usando seus lábios, eles grudam e não abrem mais. Após pensar e observar por alguns meses, abandonou essa teoria em favor de outra: se eles não ficarem constantemente exercitando seus lábios, seus cérebros começam a funcionar. (p. 57)

O livro narra o início das aventuras vividas por Arthur Dent, um inglês típico, sem nada em especial, mas que se vê às voltas com a notícia inesperada da demolição de sua casa, para construção de um desvio. Ele nem imaginava que havia problemas maiores em jogo, e foi poupado de ser vaporizado junto com a Terra graças ao amigo Ford Prefect. Ford é natural de um pequeno planeta perto de Betelgeuse, e passara 15 anos na Terra disfarçado de ator desempregado [uma desculpa perfeitamente aceitável], fazendo pesquisa de campo para a edição revista do Ultimate Book para os mochileiros interestelares, O Guia do Mochileiro das Galáxias

Os dois amigos acabam escapando da demolição da Terra de carona em uma nave espacial vogon e nem sonhavam com tudo o que viria em seguida. Entre coisas tão legais quanto viajar no espaço com bons amigos e tão horríveis quanto a poesia vogon, Arthur descobre a "verdadeira" história do nosso planeta e a resposta para a Pergunta Fundamental da Vida, do Universo e Tudo Mais. Mas, principalmente, aprende a não se surpreender com nada do que iria ver no caminho.

Os homens sempre se consideraram mais inteligentes que os golfinhos, porque haviam criado tanta coisa – a roda, NY, as guerras, etc – enquanto os golfinhos só sabiam nadar e se divertir. Porém, os golfinhos, por sua vez, sempre se acharam muito mais inteligentes que os homens exatamente pelos mesmos motivos. (p. 151)
Finalmente a bordo da nave Coração de Ouro, Arthur viaja na companhia do amável Ford, da amiga Trillian, de um impagável Zaphod Beeblebrox e do fofo Marvin [um robô maníaco-depressivo, que nos proporciona as melhores  cenas do livro e conquista o coração de qualquer pessoa, até com suas alfinetadas]. Eles avançam no espaço, sobrevivendo às maiores improbabilidades da galáxia e encontrando seres hilários, como aliens que se sentem felizes por terem a chance de ficarem irritados e governantes planetários que não dão a mínima para os governados [mera coincidência?]. Com esse grupo heterogêneo e carismático, conhecemos a natureza selvagem no cosmos e nos deparamos com a curiosa questão de reconstruir o mundo, despojando-o de suas falhas originais. 

O livro é um clássico da ficção científica que flerta abertamente com a Filosofia, quando discute algumas das questões fundamentais...Existe um plano maior e sinistro em andamento no Universo? Quem somos? Aonde vamos? Por que estamos aqui? Onde podemos almoçar?

Apesar das inúmeras declarações sobre o ateísmo de Adams, porém, não posso deixar de relevar algo que, para mim, permanece claro: levando em conta as tantas brincadeiras, indagações e menções a respeito de Deus, e a ideia de que há um limite para as repostas da ciência, talvez Douglas acreditasse mais n'Ele do que muita gente que anda sobraçando a Bíblia. Só uma ideia.

A ciência conseguiu algumas coisas fantásticas, não vou negar, mas acho mais importante estar feliz do que estar certo. (p. 183)
Esta é uma coleção para se ter na estante, guardar, presentear e debater [muito] em clubes do livro. Um clássico da FC que você vai desejar ler NOW. E não se esqueça da sua toalha, mochileiro o//


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