18 julho 2015

[RESENHA] O Mundo pelos Olhos de BOB (James Bowen)

Deixando para trás um passado difícil, James Bowen "foi adotado" pelo gato Bob. Eles se mantêm com um emprego de verdade: são vendedores ambulantes de revistas, sendo James o negociador e Bob, o showman, e se tornaram personalidades em Londres. O gato Bob tem inúmeros admiradores, que passam todos os dias para vê-lo e tirar fotos– alguns, trazendo cachecóis de lã para ajudá-lo a enfrentar os dias mais gelados. Da alegria aos problemas e perigos, Bob e James se consolidam como uma família. O tom de superação, fé e força do livro de Bowen nos faz perceber a importância de Bob na recuperação de seu dono, que saiu dos piores anos de sua vida.
BOWEN, James. O mundo pelos olhos de BOB. Tradução de Robson Falchetti Peixoto. Ribeirão Preto: Novo Conceito, 2014. 222 p.
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Já passou ou se imaginou passando pela experiência de chegar ao fundo do poço, olhar para os lados e não ver ninguém que pudesse ou quisesse te ajudar? Mergulhado nos erros do passado, imaginando de onde viria a ajuda necessária, aguardada, e se ela viria? Imagine agora se essa ajuda viesse de onde menos esperava: não de um ser humano complexo e complicador, mas de um (quase) ingênuo bichano das ruas londrinas. Mergulhei nas aventuras do Gato Bob em seu segundo livro, sem ter lido o primeiro, mas não acredito ter sido prejudicada por isso e ainda me sinto compelida a ler o primeiro livro logo!

James tem um passado difícil nas costas: por muitos anos morou nas ruas, usando drogas, até que o fofo gato Bob "o adotou". Com o novo emprego dos dois - vendendo exemplares da THE BIG ISSUE de forma independente, na rua, e seu status de celebridades em Londres, eles acumulam admiradores e cachecóis doados que ajudam na sobrevivência ao frio. Nem tudo são flores para quem precisa encarar as ruas para sobreviver, mas ter um ao outro ajudou tanto James quanto Bob - que tem um passado igualmente misterioso.
Diz a lenda que são os gatos que escolhem os donos, não o contrário. Assim, percebi que ele tinha me escolhido. (...) Eu suspeitava que fôssemos realmente almas gêmeas, cada um ajudando o outro a curar as feridas do passado conturbado. (p. 15)

James foi viciado em heroína e metadona, antes de começar seu tratamento e encontrar seu agente transformador: o gato Bob, um felino opinioso, de personalidade forte, talvez sua alma gêmea; um ajuda o outro, sarando as feridas do passado. Um livro fofo, recomendado a todos os apaixonados por animais, em especial, aos amantes dos gatos.
Eu sempre dizia que éramos parceiros, que precisávamos um do outro igualmente. Lá no fundo, eu não acreditava que isso fosse realmente verdade. A sensação era de que eu precisava mais dele do que ele de mim. (p. 71)

O livro é um relato autobiográfico que só não me satisfez em um ponto: o titulo prometia um mundo pelos olhos de Bob. Não sei como se desenrolou o primeiro livro, mas eu esperava algo mais do ponto de vista do protagonista e menos do narrador/autor, mesmo que tivesse um tom ficcional, fantasioso.

É  uma história emocionante, na qual James conta um pouco do passado com as drogas e o desenvolvimento do transtorno bipolar; e também do presente: os problemas financeiros do momento, como a vida em uma casa inadequada, James mal conseguindo cuidar de si. Narra ainda as peripécias de seu gato Bob, que não parece muito disposto a ir embora, mesmo que não viva preso. O bichano ama James, curte o ritmo de vida deles, vai para a rua de bom grado, vender revistas, sob chuva, sol, neve. É uma estrela nas ruas, com direito a foto, matéria no jornal, perseguição e - sim! - e agora o livro, que levaria sua história muito mais longe.
... A paternidade traz muitas risadas também. Essa é outra coisa que Bob me ensinou. Durante muito tempo, achei difícil encontrar muita alegria na vida, e ele me ensinou a ser feliz novamente. Mesmo os menores e mais bobos momentos que dividimos juntos são capazes de estampar um sorriso instantâneo no meu rosto. (p. 140)

O livro vai agradar os fãs de gatos, que se divertem com as coisas malucas, fofas, impensáveis e inacreditáveis que os animais de estimação, em particular, os gatos, aprontam. Em dados momentos, você ficará chocado, porque James viveu no submundo, nos níveis mais baixos da condição humana, morou nas ruas e viu muita coisa ruim, mesmo que não tenha contado tudo. Você vai rir, vai ficar de queixo caído com algumas artimanhas de Bob e não vai acreditar em todas

Não é leitura de fim de semana: os capítulos são um pouco longos, mas a edição e a revisão ficaram incríveis, com excelente imagem de capa, design interno, papel confortável e fonte adequada a uma leitura. A nota de hoje não é máxima, mas a narrativa é válida.


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