08 julho 2015

[RESENHA] Quando Tudo Volta (John Corey Whaley)

Sexta, 30/01/2015


Uma morte por overdose. Um fanático estudioso da Bíblia. Um pássaro lendário. Pesadelos com zumbis. Coisas tão diferentes podem habitar a vida de uma única pessoa? Cullen Witter leva uma vida sem graça. Trabalha em uma lanchonete, tenta compreender as garotas e não é lá muito sociável. Seu irmão, Gabriel, de 15 anos, costuma ser o centro das atenções por onde passa. Mas Cullen não tem ciúmes dele. Na verdade, ele é o seu maior admirador. O desaparecimento (ou fuga?) de Gabriel fica em segundo plano diante da nova mania da cidade: o pica-pau Lázaro, que todos pensavam estar extinto e que resolveu, aparentemente, ressuscitar por aquelas bandas. Em meio a uma cidade eufórica por causa de um pássaro que talvez nem exista de verdade, Cullen sofre com a falta do irmão e deseja, mais que tudo, que os seus sonhos se tornem realidade. E bem rápido.
WHALEY, John Corey. QUANDO TUDO VOLTA. Ribeirão Preto: Novo Conceito, 2014, 224 p.
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E, quando morremos, todos temos asas, não precisaremos mais de pernas para ficar de pé.

Inesperadamente cativante. Passar 7 dias na vida de Cullen Witter só não pode ser mais estranho, perturbador e enigmático do que 7 dias dentro da cabeça dele. Um jovem de 17 anos sem muitas pretensões na vida, além de sair de Lily, Arkansas, Cullen se vê preso a cada canto da cidade, desde que seu irmão caçula, Gabriel, desapareceu: um menino doce, responsável e incapaz de ferir outro ser humano. terá cansado de Lily e fugido? Estará morto? Foi sequestrado ou levado de volta ao mundo paralelo em que sempre pareceu ter vivido? O mais revoltante é que, atentos à estrela do momento, - o pica-pau Lázaro, que estava sumido - ninguém parece se importar mais com o sumiço de Gabriel Witter, dor em cima de outra maior.
... a morte pode nos ferir.
A morte pode nos surpreender.
Pode nos assustar.
Pode nos tirar o sono à noite.
Mas também aprendemos as coisas que a morte não pode fazer.
Não pode destruir nossas esperanças.
Não pode tirar o amor e o apoio de nossos amigos e de nossa família.
Não pode nos fazer perder nossa fé sem fim no mundo e em Deus.
A morte nos entristeceu, mas não vai prevalecer. (PP. 34-35)

Apesar de não ser muito extenso, o livro tem o condão de nos fazer refletir, com um texto tão enxuto quanto possível. A cada momento em que Cullen inicia uma frase com "Quando alguém" vê, ouve, faz... percebo a personalidade introspectiva e densa de alguém com uma profunda incapacidade de falar de si mesmo. Para se referir aos próprios problemas, muitas vezes prefere falar em terceira pessoa, como se fosse um estranho. O autor desenvolve a trama de forma que percebemos, gradualmente, o poder de imaginação de Cullen Witter.


Whaley traz personagens que se revelam por inteiro rapidamente, e outros que evoluem de maneira inesperada, no decorrer da história. Ele inicia alternando o ponto de vista do inventivo, Cullen Witter e a narração em terceira pessoa, sobre a vida e ações de Benton Sage, missionário religioso. Durante toda a leitura, eu só pensava: quero saber onde essas duas vidas vão se cruzar.
... não são exatamente as coisas que dizemos a elas sobre Cristo, mas o que fazemos por elas, que espelha as atitudes de Cristo. (p. 46)
Pensei em dizer que o livro não surpreenderia. Mas ele surpreendeu. Não é tão previsível, visto que o autor nos dá leves pistas de uma possibilidade, para revirar tudo de ponta a cabeça depois. Se desvendar o mistério do desaparecimento de Gabriel antes da metade do livro, pode crer: você é BOM. Recomendo sua leitura, e tê-lo na estante. Ele nos dá muitas alfinetadas seguras sobre a condição humana, mesmo de forma sutil.


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