20 setembro 2015

[DOMINGAS] ESCADA

Olha, não vou negar... Eu fui uma criança fofinha. Até os seis anos, arrasava os corações das titias que ainda não eram mamães - e de algumas ciganas, não todas, que, nos anos 80, tinham o péssimo hábito de sequestrar crianças bonitinhas. Era nerd desde muito cedo: abria a mochila - antes mesmo de mainha abrir a porta de casa - para começar a fazer os deveres escolares ainda na calçada. Mas a minha infância e adolescência não foram bacanas, no quesito autoconfiança sobre a minha aparência. 

Quando comecei a crescer, passei a achar o meu nariz desproporcionalmente grande; não suportava o fato de usar óculos e ser chamada de "ceguinha", "quatro olhos", "horrorosa", quando o padrão de beleza de então valorizava a cara limpa; de ser morena e rechonchuda, quando o belo era ser loirinha e magra; de ter olhos e cabelos castanhos, quando os olhos claros eram considerados o ícone da perfeição - mesmo que a pessoa tivesse cara de pires rachado.


Passei uma adolescência vendo os meninos de quem eu gostava pedirem outras em namoro; chamando sempre as minhas colegas mais bonitas para dançar; etc e etc. Deixei de sair mais, sentindo-me infeliz, sempre para baixo e me escondendo, focando a cabeça nos estudos para fugir do fato de que minha vida social era, bem, um "pedaço de matéria fecal". Eu afirmava, com plena convicção, que não me casaria, porque aquilo era um hábito do século passado - há muito superado. Na verdade, lamentava repetidamente, sozinha, na calada da noite, quando todos haviam ido dormir.

Os livros foram uma excelente alternativa para me esconder do mundo real e mergulhar em um mundo de fabulação. A Fantasia era atrativa, eu podia controlar seu ritmo, mesmo que não pudesse domar seu desfecho. Amadureci a partir das minhas leituras, compreendendo porque a vida toma certos rumos; em suma, foram os melhores psicólogos que consultei na vida.

Chorei. Chorei muito, mas esse tempo passou. Estudei. Feito louca, para passar no vestibular e dar orgulho aos meus pais. No fim das contas, eles só queriam algo que ajudasse a pagar as contas. Risos infindos. Eu me tornei uma Balzaquiana. Temi muito, o dia em que viraria a casa dos 3.0, porém, esta vem se provando a melhor fase da minha vida. 

Ter um emprego fixo e sua renda, estudar aquilo que a gente ama e ter menos tempo para pensarmos em bobagens nos faz pensar muito melhor no tempo que estamos dedicando à nossa felicidade. Eu, que por tanto tempo afastei o Amor, tive de lidar com o fato de que ele caminhava na minha direção, e viria a me acertar como um veículo sem controle, de modo que só pude aceitar quando ele chegou e disse: "Estou aqui! Vem." 

Hoje, estou, sim, planejando o meu casamento. Aquela nerd "quatro olhos" e rechonchuda, que tanta zoação ouviu na escola, por não se enquadrar no padrão de beleza exigido na época, tornou-se nerd desejada, de cabelos coloridos, um estilo mais seu - que não era amada, pelo simples fato de que nunca soubera amar-SE primeiro.

Então, encare certos fatos da vida:

* O medo da morte ensina a valorizar a vida. Mas não espere encarar a Ceifadora para perceber as maravilhosas coisas e pessoas que te cercam, todos os dias.

* O ENEM é necessário, mas se você morrer de estudar, não vai poder aproveitar o melhor da vida universitária. ESTUDE, mas não SE MATE.

* Você sempre terá uma amiga mais bonita e desejada do que você. E sempre terá outra que é exatamente o oposto. Odiar uma e Amar a outra não vai te tornar mais bela ou mais horrorosa. Aprenda a realçar a sua própria beleza.

* Aprender a VALORIZAR seus pontos fortes conta mais do que LAMENTAR-SE pelos seus pontos fracos. Todo ser humano tem defeitos, você também tem, e vai passar a vida descobrindo mais coisas boas e ruins em si mesmo (a). É uma das maiores graças de estar vivo.

* Casais apaixonados gostam de declarar seu amor, às vezes publicamente. Quando você for parte de um casal, amorosamente bem resolvido (a), perceberá que demonstrações públicas de afeto não são melosas, nem falsas, nem desnecessárias: são parte da vida de um casal. Estar apaixonado é maravilhoso: esqueça as mágoas passadas e tente de novo. 

Você é sua própria escada. Confia em Deus, usa teus dons e vai na fé! Você constrói seu próprio destino, e decide quais degraus vai descer e subir, no decorrer da caminhada.

VIVA! Só acontece uma vez, na Terra.

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