13 dezembro 2015

[DOMINGAS] Esvaziando o Cache

Frequentemente me pego pensando em como a sociedade deste milênio evoluiu de forma que vai acabar deteriorando-se, consumindo-se, alimentando-se de seus próprios alvoroços. Na eterna busca por estar em todo lugar, podemos finalmente chegar a Lugar Algum, muito em breve.

A quantidade de informação que recebemos todos os dias e o número de atividades que já fazem parte do nosso cotidiano são tão altos que me surpreende o simples fato de o homem ainda não ter inventado uma forma de mexer com o tempo e os calendários, de forma a estender os dias ao dobro de horas de um dia normal.

O acúmulo de informações e atividades, no entanto, não é bom, se agregado a ele não vem uma forma de esvaziamento: um lazer que retire a sua mente daquele estado de peso, uma pessoa, perfume ou momento que afaste seu pensamento da obrigação. Todo ser humano tem necessidade de atividades não-obrigatórias intercaladas às obrigatórias, para que a sua saúde mental seja preservada.

Todos sabemos o que acontece quando você navega por muito tempo na internet: o cache vai ocupando mais e mais espaço no seu HD, o espaço acaba ficando obstruído e isso resultará em um processamento mais lento. Exatamente o mesmo acontece com a nossa mente.

Na ficção, Alvo Dumbledore contava com algo que muitos de nós já desejaram: uma Penseira, artefato mágico onde você poderia depositar todos aqueles pensamentos sobressalentes, que se acumulavam na mente, atrapalhando o raciocínio de reflexões mais importantes e urgentes; ou mesmo para proporcionar a avaliação de um olhar externo sobre os pensamentos mais teimosos e parciais.

Somos esponjas. Podemos absorver o que se passa ao nosso redor e ir escoando aos poucos, ou acumular uma grande quantidade de água, até que uma única mão tem o poder de segurar essa esponja e fazê-la transbordar. As pessoas ao nosso redor podem acabar recebendo um pouco desse retorno, mas curiosa e paradoxalmente, é no transbordamento que encontramos a Paz.


Nós não somos computadores. Tampouco magos com artefatos de descarrego mágico. Somos seres humanos: o que fazer quando você já usou e abusou de seu "Sim", ou quando a necessidade pede, e tudo fica tão atravancado, que um único passo adiante parece toda uma trilha de incertezas, dúvidas e fraquezas?

Sim, é preciso dinheiro para sobreviver.
Sim, assumimos compromissos e devemos honrá-los.
Sim! Precisamos praticar o "Não" na hora certa, porque a presença desse advérbio é educativa e a sua ausência, potencialmente destrutiva.

Minha solução foi escrever.

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