07 janeiro 2016

[DATAS ESPECIAIS] 7 de Janeiro: Dia do Leitor


Dia do Leitor. Dia dedicado a eles... Os leitores apaixonados, profícuos, letrados e que não podem ver uma estante repleta de livros sem sentir o coração acelerar no peito, imaginando quando terá tempo de ler todos, de mergulhar naqueles novos mundos, de adentrar em horizontes e mentes de autores desta e de outras épocas.



Se, por não sei que excesso de socialismo ou de barbárie, todas as nossas disciplinas devessem ser expulsas do ensino, exceto uma, é a disciplina literária que devia ser salva, pois todas as ciências estão presentes no monumento literário. (Roland Barthes, Aula, 1997)

Esses leitores, ah, eles são diferentes: distinguem-se na multidão e, mesmo que busquem apenas um cantinho sossegado para lerem e paz, eles sempre atraem atenção, causam por onde passam, incomodam. E por quê? Porque se perdem naquilo que amam, porque são eternos apaixonados e não se envergonham de compartilhar esse amor com o mundo ao seu redor.

Leitores apaixonados têm mais livros do que podem ler [Céus! Têm mais livros do que tempo para ler!], mas não podem ver um dos seus desejados em promoção, que fazem uma nova compra. Tais leitores entram em êxtase à visão de uma livraria, onde podem encontrar seus maiores tesouros. Ao cruzar a soleira da portaria de uma Saraiva, Leitura, Nobel, Cultura... a sensação de estar em casa se apodera de seu corpo, de seu coração e mente, ao passo que se encaminham para a primeira seção do dia.

... a literatura aparece claramente como manifestação universal de todos os homens em todos os tempos. Não há povo e não há homem que possa viver sem ela, isto é, sem a possibilidade de entrar em contato com alguma espécie de fabulação. Assim como todos sonham todas as noites, ninguém é capaz de passar as vinte e quatro horas do dia sem alguns momentos de entrega ao universo fabulado. O sonho assegura durante o sono a presença indispensável deste universo, independente da nossa vontade. E durante a vigília, a criação ficcional ou poética, que é a mola da literatura em todos os seus níveis e modalidades, está presente em cada um de nós, analfabeto ou erudito – como anedota, causo, história em quadrinhos, noticiário policial, canção popular, moda de viola, samba carnavalesco. Ela se manifesta desde o devaneio amoroso ou econômico no ônibus até a atenção fixada na novela de televisão ou na leitura seguida de um romance. Ora, se ninguém pode passar vinte e quatro horas sem mergulhar no universo da ficção e da poesia, a literatura concebida no sentido amplo a que me referi parece corresponder a uma necessidade universal, que precisa ser satisfeita e cuja satisfação constitui um direito. (CANDIDO, Antonio. Vários escritos. 3ª ed. revista e ampliada. São Paulo: Duas Cidades, 1995.)

O apaixonado por livros segue um ritual rígido, de tomar a obra com cuidado, folheá-lo com igual trato, sentindo o aroma delicioso das páginas de um volume novo. Ela escolhe uma poltrona confortável ali mesmo, na loja, e se senta para ler a sinopse carinhosamente, sem pressa, desfrutando de cada palavra e de seus efeitos na alma conturbada pelo dia a dia, pela dureza do mundo real. É o momento de dobrar a realidade em quatro e guardá-la no bolso. Porque nos esperam Nárnia, Hogwarts, Oz, o Maine, Nova York, Londres e tantos outros recantos mágicos do mundo.

Esse leitor e essa leitora têm o prazer de alocar seu novo Bem na estante depois de prosseguir a leitura que começou na livraria. Ele vai se deixar envolver por aquele mundo novo, por mais uma vida que está conhecendo, e convidará outros a fazerem parte dele. Pelo puro prazer de compartilhar desse amor.


Se hoje é o dia de um Leitor em especial, é do Amante de Livros: daquele que reconhece o poder e a função social da Literatura em sua vida, e faz uso da fabulação para viver melhor, as breves horas de sonho e encantamento mesclando-se com as longas horas da vida real e dura.


Hoje, se me pergunto por que amo a literatura, a resposta que me vem espontaneamente à cabeça é: porque ela me ajuda a viver. Não é mais o caso de pedir a ela, como ocorria na adolescência, que me preservasse das feridas que eu poderia sofrer nos encontros com pessoas reais; em lugar de excluir as experiências vividas, ela me fez descobrir mundos que se colocam em continuidade com essas experiências e me permite melhor compreendê-las. Não creio ser o único a vê-la assim. Mais densa e mais eloquente que a vida cotidiana, mas não radicalmente diferente, a literatura amplia o nosso universo, incita-nos a imaginar outras maneiras de concebê-lo e organizá-lo. Somos todos feitos do que os outros seres humanos nos dão: primeiro nossos pais, depois aqueles que nos cercam; a literatura abre ao infinito essa possibilidade de interação com os outros e, por isso, nos enriquece infinitamente. Ela nos proporciona sensações insubstituíveis que fazem o mundo real se tornar mais pleno de sentido e mais belo. Longe de ser um simples entretenimento, uma distração reservada às pessoas educadas, ela permite que cada um responda melhor à sua vocação de ser humano. (Tzvetan Todorov em A literatura em perigo)

Parabéns, leitores apaixonados do meu Brasil... como eu sou!

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