03 janeiro 2016

[DOMINGAS] Para você, Livro tem Preço ou Valor?


Por que o livro é caro no Brasil? Ou melhor, para você, ele tem preço ou Valor?

Realizei uma pequena pesquisa para desvendar esse mistério que acaba colocando uma barreira entre o livro e o leitor brasileiro - de quem se diz que lê muito menos que os europeus e americanos. Qual será a real razão deste fato?

De acordo com reportagem de Mario Chiaretti, do Portal Super Interessante (Fonte: link), existe uma diferença enorme entre o preço do livro no Brasil e na Europa ou Estados Unidos. Muitas vezes, o livro é vendido no nosso país pelo dobro do valor da mesma obra no velho continente. Ainda segundo o Portal, o problema está na tiragem lançada. Em outros países, há uma tiragem por exemplar de 10.000 livros, enquanto no Brasil, esse número fica em torno de 2.000. Se há menos volumes, o preço sobe.


Fora o papel, que varia segundo a quantidade de exemplares, toda edição tem um custo fixo, do qual não dá para fugir. Composição das páginas, máquinas, revisões, ilustrações, tudo isso independe da tiragem. E quando se divide o custo fixo pelo número de exemplares, tem-se o custo unitário. (Fonte: Portal Super Interessante)

Ora, vejamos os custos da produção e venda de um livro, para que possamos compreender melhor onde é aplicado cada centavo do que pagamos por um de nossos amados volumes. Para isto, valemo-nos de dados de Mario Chiaretti, no referido Portal Super Interessante: 


Menos de 5%  >> Papel
Cerca de  8%  >> Gráfica (sem incluir o papel)
Cerca de 10% >> Autor (Custos do trabalho)
Cerca de 15% >> Distribuidor (distribuição atacadista e venda)
Cerca de 25% >> Editor (editora, tradução, revisão, paginação e lucro)
Total de 40%  >> Livraria

Podemos perceber que os menores custos se aplica ao papel utilizado e o maior, à Livraria que revende a obra pronta. Autor e Distribuidor ficam dentro da mesma linha de retorno financeiro

João Scortecci, do site Amigos do Livro, apresenta suas hipóteses para o alto custo de um livro no nosso país, e retoma a ideia das baixas tiragens, que encarecem o preço das obras vendidas em território nacional:
No bojo de uma produção, não tão vigorosa - baixas tiragens, perdas, desperdício, uso indevido de insumos, distribuição pífia, impostos indiretos, concorrência desleal, baixo poder aquisitivo, falta de educação e ausência de campanhas de peso pelo hábito da leitura - talvez, possamos encontrar outras razões que ajudem a explicar por que o livro é caro no Brasil. (Fonte: Amigos do Livro)

Concordamos que é no mínimo curiosa, a presente situação. 
Com a ascensão das redes sociais, veio uma maior divulgação de muitos serviços e produtos, incluindo os livros. Segundo dados do site SKOOB, existem mais de 709.000 leitores cadastrados e que realizaram uma Meta de Leitura em 2015. Em um país de 200,4 milhões de habitantes, esse número, de fato, parece pequeno: 0,000003 leitores/habitante. Mas é isso muito maior do que eu mesma sempre imaginei. São 709.000 pessoas que estão lendo periodicamente, portanto, não há tão poucos leitores assim no Brasil. Em contrapartida, temos a pesquisa do Instituto Pró-Livro, que diz o seguinte:

Na última pesquisa feita pelo Instituto Pró-Livro, em 2011, há uma diminuição da leitura no Brasil. Consta de que 45% dos brasileiros leem um exemplar a cada três meses. Na média anual, com a inclusão dos didáticos, são quatro. Na França, na última avaliação, a discussão abrange o fato do número de livros lidos ter reduzido de 16 para 15. São dez livros a mais por pessoa em um ano. (Site Notícias do Dia)

Se pararmos para pensar no custo-benefício, livro não é caro: nós o colocamos como um bem de segunda prioridade. Se podemos comprar um vestido até de R$ 200,00 e dividir no cartão pra se usar algumas vezes; ou um ingresso VIP pro Fest Verão, que ultrapassa R$100,00 para durar apenas uma noite, algumas fotos e puf; ou até um dia na praia, em que a gente gasta mais do que em casa e também acaba ao fim do dia... o custo-benefício de um livro (R$ 15, 20, 30, 40, 50...), que proporciona prazer quantas vezes for lido e relido, não custa muito, e é um bem eterno. Só saber dosar e dividir pra um e outro.

Então, acredito em uma questão de avaliarmos melhor nossas prioridades e colocar na balança aquilo que tem maior valor para nós. Ora, eu decidi que, se posso gastar até 200,00 em um vestido ou 1000,00 em um celular de última geração, posso colocar 100,00 de livros na minha cota mensal. Serão dois, três? Não sei, mas preciso desses bens gostosos e duradouros comigo. E você, já avaliou suas prioridades culturais?

FONTES

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