14 fevereiro 2016

[DOMINGAS] Descartável

Por mais que eu já tenha visto e ouvido inúmeras barbaridades no presente século, uma das novas manias sociais ainda me impressiona verdadeiramente: o caráter descartável das relações sociais deste século. 

Com a mesma facilidade com que as pessoas andam descartando lixo, deletando arquivos que não desejam mais na memória, deletam-se amigos de um Facebook e também da vida. Se, antigamente, causava choque o fim de um relacionamento por telefone, ao menos havia a voz da pessoa do outro lado da linha, havia algum contato. Hoje, há mensagens de texto. Ou simplesmente, você vai verificar porque não vê mais atualizações daquele amigo de muitos anos e descobre que ele te bloqueou, sem explicar antes que não concordava com um posicionamento seu. Completamente infantil, percebe-se.

Hoje em dia, é mais fácil decidir que as atitudes atuais de uma pessoa - por mais que ela sempre tenha sido uma pessoa diferente da que está agindo de forma estranha, agora - são o suficiente para você tomar qualquer atitude drástica sobre ela. Basta isso, para que anos de companheirismo e pretensa amizade sejam esquecidos. Agorismos reinantes. 


"Hoje vou postar sobre a igualdade"; "Vou comparecer ao evento X semana que vem"; "bom, vou retirar essa pessoa da minha lista de amigos e ela deixará de existir na minha vida. Puf!"; "Ah, meu novo Selfie!!! #InstaGood #MelhorDia #MuitoFeliz". 

Ao homem do século XXI falta uma habilidade maravilhosa, pela qual todos os grandes inventores de tecnologias de comunicação trabalharam anos e anos, até alcançar o sucesso: MELHORAR A COMUNICAÇÃO ENTRE AS PESSOAS. Mas o tiro saiu um pouco pela culatra, não? O que fora criado para estimular que as pessoas mais distantes se conectassem mais facilmente prejudicou o relacionamento daquelas que estão fisicamente próximas.

O que acontece hoje é o contrário: as pessoas encontraram um novo meio de fuga, já não se sentam juntas ou sequer puxam um papo para saber o que está havendo de errado, pois isso daria muito trabalho. 


Para que conversar, agora não dá tempo. Vem de Whats, mais tarde!

Elas fogem, e deixam que a outra pessoa descubra sozinha que tem menos uma pessoa para enviar cartões de Natal.

Covardia. Medo. Insegurança. Mentiras crônicas e todos os piores sentimentos humanos, as falhas de caráter inegáveis se revelam e tomam a cena; seus problemas particulares são jogados na rede em troca de curtidas, e acabam revelando verdades sobre o seu amigo que ele não tem coragem de dizer em voz alta. Ou revelam coisas que ele disse pela revolta do momento, mas não tinha a intenção de magoar alguém, especificamente. E por que resolver isso diretamente com ele? Vou excluir e pronto. Por alguma razão, esta também é  a era em que todos decidiram colocar suas mágoas à flor da pele, e receber comentários e postagens em redes sociais como uma punhalada direta e certeira apenas contra Si Mesmos. Que geração egocêntrica.

O mundo não gira ao redor de cada um de nós: a Terra permanece girando ao redor do Sol, percorrendo um caminho em forma de elipse, a 107.000 km/h, completando um giro a cada 365 ou 366 dias! E nem faz isso sozinha, porque apenas no nosso Sistema Solar, há mais oito planetas fazendo o mesmo (Isso aí, ninguém me fará excluir Plutão - trocadilhos à parte). 

As suas redes sociais giram em torno de você, expõem sua vida, suas fotos, suas opiniões, tudo. Quer ter mais Paz de Espírito? Ausente-se das redes sociais e veja o que acontece. Desligue o celular à mesa do lanche, do almoço ou do jantar. Olhe, de fato, nos olhos das pessoas, e não pelo filtro da câmera, não a noite inteira.
É algo maravilhoso de se viver.

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