08 fevereiro 2016

[Resenha] Romeu e Julieta (William Shakespeare)

O lugar é Verona – Itália, por volta de 1600. As famílias Monttechio e Cappuleto vivem em pé de guerra, e tristes acontecimentos vêm acentuar essa rivalidade de anos, mesmo com os pedidos de paz do príncipe de Verona - uma briga que criou raízes mesmo entre parentes e servos das mencionadas famílias. Enquanto isso, em um baile de máscaras, Romeu Monttechio vê, pela primeira vez, Julieta Cappuleto, e os dois se apaixonam à primeira vista. Ao descobrirem que suas famílias estão em pé de guerra, entram em desespero e decidem casar-se às escondidas, no que são ajudados pelo Frei Lourenço. O fim dessa história não poderia ser feliz.
SHAKESPEARE, William. Romeu e Julieta. Trad. Barbara Heliodora. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011, 140 p.
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RESENHA DO SKOOB


Julieta, herdeira do velho Cappuleto, apaixona-se por Romeu, sem saber que ele é um Monttechio. A despeito de toda a problemática que essa paixão provocaria, eles resolvem atar os laços de sua paixão secretamente: casaram-se sob a cumplicidade do querido Frei Lourenço, para viver essa paixão, esse amor que sentiram imediatamente um pelo outro, desde o primeiro instante em que se viram. Romântico, não? Pense de novo, porque muitos problemas vêm daí!

SRA. CAPULETO: Diga: o amor de Páris lhe agrada?
JULIETA: Sim, se ao olhar sentir-me apaixonada. Porém mais longe eu nunca hei de ir que o voo que a senhora consentir. (ATO I, CENA III, p. 34)

As brigas entre famílias acabam sufocando um pouco o amor dos jovens e levando a um desfecho trágico, que gerações já conhecem. Há muitas passagens interessantes de cunho social, a exemplo da tradição de obediência cega do filho ao patriarcado - na pessoa do pai ou da mãe - que reinava na época.


"Quando vai fundo, o amor é sempre um peso e sempre oprime algo de delicado." (Mercúcio, CENA IV, p. 35)

Os traços da sensibilidade que tornou Romeu um personagem icônico do amor romântico – e também uma inspiração para escritoras que criaram galãs no século XXI, estão bem nítidos no livro. Temos uma passagem interessante quando Romeu tem a primeira visão de Julieta, entrando com um rapaz. Ele pergunta:


"Quem é a moça que enfeita a mão daquele cavalheiro? (...) Ela é que ensina as tochas a brilhar, e no rosto da noite tem um ar de joia rara em rosto de carvão. É riqueza demais pro mundo vão. Como entre corvos pomba alva e bela, entre as amigas fica esta donzela. Depois da dança, encontro seu lugar, pra co'a mão dela a minha abençoar. Já amei antes? Não tenho certeza; pois nunca havia eu visto tal beleza." (ATO I, CENA V, p. 40-41)

Mesmo tendo os Monttechios como seus inimigos, o velho Capuleto carrega resquícios da antiga tradição do respeito aos estrangeiros na sua casa, e põe isto em prática através de Teobaldo. Há outras referências às obras Clássicas. Por exemplo, um momento do Ato I, última cena, p. 45, quando Julieta conversa com a ama e ela descobre que o rapaz que ela beijou na festa é filho único de sua família inimiga. Houve a peripécia - a reviravolta dos acontecimentos, que foram de um amor inocente à paixão pelo inimigo mortal; e o reconhecimento do mal.


Nasce o amor desse ódio que arde?
Vi sem saber, ao saber era tarde.
Louco parto de amor houve comigo,
Tenho agora de amar meu inimigo. (Ato I, Cena V, p. 45)

Benvólio é, sem favor algum, meu Monttechio favorito. Ele se colocou no extremo da disposição para ajudar seu primo, cujo amor estava fadado ao fracasso, mesmo que morresse na tentativa. No livro, ainda há uma pitada para quem tem interesse na teoria dos nomes, um belo debate filosófico que ocorre, pelo menos, desde a Grécia Antiga. E para quem duvidava, Romeu ainda pode ter sido o precursor dos populares xavecos – temos no livro uma cantada do mais alto nível, feita pelo maior romântico do mundo.


- Quem o guiou pra vir até aqui?
- O amor, que me obrigou a procurar: aos seus conselhos eu juntei meus olhos. Não sou piloto, mas, se você fosse pro fim da praia do mar mais distante, eu singrava até lá por tal tesouro. (Ato II, Cena II, p. 51)

O velho Capuleto é muito radical e fala absurdos demais para Julieta, então alcançou o posto de personagem que mais detestei no livro; adotou uma postura inadequada, usando termos inapropriados para um pai perante a filha. Mas Julieta também não é a adolescente dos sonhos dos pais.

Esse drama, romance, tragédia romântica merece ser lido e relido e, talvez por isso, tenha conquistado um lugar especial na história e na Literatura. Quando colocar as mãos em um exemplar, não perca a sua chance, não hesite, não deixe para depois - leia agora!


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