21 abril 2016

[RESENHA] A Ilha dos Dissidentes (Bárbara Morais)

SER LEVADA PARA uma cidade especial não estava nos planos de Sybil. Tudo o que ela mais queria era sair de Kali, zona paupérrima da guerra entre a União e o Império do Sol, e não precisar entrar para o exército. Mas ela nunca imaginou que pudesse ser um dos anômalos, um grupo especial de pessoas com mutações genéticas que os fazia ter habilidades sobre-humanas inacreditáveis. Como única sobrevivente de um naufrágio, ela agora irá se juntar a uma família adotiva na maior cidade de mutantes do continente e precisará se adaptar a uma nova realidade. E logo aprenderá que ser diferente pode ser ainda mais difícil que viver em um mundo em guerra. (Skoob)
MORAIS, Bárbara. A ILHA DOS DISSIDENTES. Trilogia Anômalos. vol 1. 2. ed. Belo Horizonte: Gutenberg, 2011, 303 p.


Foi tudo que esperei e mais. Recebi a dica de Bárbara Morais da querida Roberta Spindler, e fui agraciada com um livro incrível, de narrativa fluída, bem estruturada, rápida, dinâmica, surpreendente. É uma história que claramente não se passa no Brasil, mas em uma nação diferente, e com muitos nomes americanos.
"Vovó Clarisse disse uma vez que devemos nos apegar à primeira impressão dos momentos bons, pois ela é única" (p. 27)
Eu comprei a trilogia online, pela Saraiva, demorou séculos para chegar, porque é por encomenda, mas finalmente iniciei a leitura e, em tempos corridos como estou vivendo, terminá-lo em uma semana foi um recorde (visto que tenho livros não finalizados desde maio do ano passado!). A Trilogia Anômalos e Bárbara Morais certamente garantiram um lugar especial na minha estante e no meu coração.
"Saudade? Não. No máximo de vovó Clarisse. Mas do resto? De ter de racionar água e comida? Ter trapos e roupas de segunda mão para vestir, ser revistada o tempo inteiro?Nem um pouco. Quanto aos meus amigos, nunca tive muitos. Tentava não me apegar. Em Kali é assim, um dia você está jogando cartas com seus amigos, e, no outro, em seus funerais." (p. 132)
Bárbara criou um universo distópico, protagonizado por Sybil Varuna, uma anômala, ou seja, um ser humano que tem poderes especiais, como muitos outros de sua "espécie" - se podemos chamá-los assim. Sybil tem vida e luz própria, ela existe fora do papel. Por sua habilidade com a água, ela não pode se afogar, e foi a única sobrevivente de um grande naufrágio no Titanic III. Órfã, ela é adotada por uma nova família e, agora, vivendo em uma nova cidade, estudando em uma nova escola, fazendo novos e excelentes amigos... E suas habilidades chamam a atenção de um grupo específico. Ela é recrutada para uma missão especial, bem além da escola, porque foi treinada desde criança, em Kali, e tem muitas habilidades, inclusive com desarmamento de bombas. Por outro lado, essa heroína multitalentosa nada sabe sobre o amor romântico. E Andrei é um maravilhoso experimento nesse campo. 

Há um leve debate sobre o homossexualismo, também. Sensível e relevante. Outro detalhe incrível é a identificação dos Anômalos: eles precisam usar roupas amarelas, de forma que se destaquem e para que qualquer pessoa, à distância, já saiba quem eles são. Aberrações. Inumanos para os "humanos". O preconceito contra o diferente.
"Se realmente morrermos, não fará nenhuma diferença para os humanos normais." (p. 169)
Com o totalitarismo da União, personagens carismáticos, muitas referências gregas e da cultura pop, locações belas (eu quero uma edição de luxo com todos os mapas da União), é um livro para se presentear, guardar, amar e reler. É um livro que te agarra às sete da noite e só te deixa dormir lá pelas 3 da manhã porque seus olhos não aguentam mais ficar abertos. Na manhã seguinte, porém, é melhor reservar um bom tempo, pois vai ser difícil largar. 

NOTA 10!


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