04 maio 2016

[Crônicas] E o Medo se Vai

Há alguns meses, temi muito o dia de hoje. Porque era o marco de algo que passou longe de ser bom. 

Jamais havia passado por uma experiência tão dolorosa; nem as decepções com aqueles que amava, nem as reprovações em concursos, nem os baixos da vida me haviam colocado à prova, como aquele singular momento em que um homem distraído abriu a porta do carro sem atenção, provocando um acidente de moto que ainda hoje me surpreende. 

Naquele momento, não senti dor. A pancada na cabeça não foi forte a ponto de me fazer desmaiar, ou perder a memória, mas me deixou desorientada. O causador do acidente desapareceu, depois de ser forçado a nos deixar no hospital.

Uma tarde inteira no hospital, sendo jogados para lá e para cá, e eu com plena consciência de que meu amor estava sentindo fortes dores naquele corte profundo e em todo o corpo, mas eu me recordo de que não senti absolutamente nada. O meu corpo e a minha mente pareciam estar anestesiados. Não senti a bola de vôlei que cresceu do lado da minha cabeça; não senti o arranhão e a pancada que fez meu ombro e joelho ficarem saltados e cortados; não senti o corte no meu supercílio ou a queimadura de não-se-que-grau-só-sei-que-ficou-preto no meu braço. Eu só desejava que a dor dele passasse, porque eu aparentemente não sofri nada. Ledo engano.

Lembro-me bem do número e dos rostos de cada uma das pessoas que veio me ver, naquela noite. Lembro melhor ainda de quem não veio. Recordo-me com nitidez o número e o rosto de cada um se dignou a me ver, durante aquela semana horrível, ao menos para mostrar que estava ali. E lembro-me ainda mais de quem não esteve aqui por mim. Lembro-me bem de ter de estar de pé e firme, menos de uma semana depois, para cuidar das minhas "crianças"; e eu estava de pé, bem firme... Mas não significa que não estava em pedaços.

Essa data me perseguiu por tanto tempo. Hoje, pude ajoelhar, (ch)orar e agradecer a Deus por estar viva; porque o pior passou e minha família está finalmente bem, depois de um ano sofrido, dolorido, de traumas, indas e vindas a hospitais; pude hoje agradecer porque tudo foi diferente e mostrei ao meu medo como ele era irracional; Agradecer! Porque, em meio a toda a dor física, psicológica e emocional, Ele me resgatou, Ele ainda tem um plano pra mim. Posso ler os meus livros quando quiser; abraçar e beijar meus pais, meus irmãos, meu noivo, meus Amigos e irmãos em Cristo; posso pensar na minha formatura e no meu casamento, na continuidade dos meus estudos e em tudo que Ele prometeu e está a cumprir.
E canto.

"E o medo se vai, eu busco no horizonte os sonhos que deixe pra trás por não saber viver..." #RosadeSaron

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