28 junho 2016

[RESENHA] Como Eu Era Antes de Você (JoJo Moyes)

Aos 26 anos, Louisa Clark não tem muitas ambições. Ela mora com os pais, a irmã mãe solteira, o sobrinho pequeno e um avô que precisa de cuidados constantes desde que sofreu um derrame. Sua vidinha ainda inclui o trabalho como garçonete num café de sua pequena cidade - um emprego que não paga muito, mas ajuda com as despesas - e o namoro com Patrick, um triatleta que não parece muito interessado nela. Não que ela se importe. Quando o café fecha as portas, Lou é obrigada a procurar outro emprego. Sem muitas qualificações, consegue trabalho como cuidadora de um tetraplégico. Will Traynor tem 35 anos, é inteligente, rico e mal-humorado. Preso a uma cadeira de rodas depois de ter sido atropelado por uma moto, o antes ativo e esportivo Will agora desconta toda a sua amargura em quem estiver por perto. Sua vida parece sem sentido e dolorosa demais para ser levada adiante. Obstinado, ele planeja com cuidado uma forma de acabar com esse sofrimento. Só não esperava que Lou aparecesse e se empenhasse tanto para convencê-lo do contrário. Uma comovente história sobre amor e família, COMO EU ERA ANTES DE VOCÊ mostra, acima de tudo, a coragem e o esforço necessários para retomar a vida quando tudo parece acabado. (SKOOB)
MOYES, Jojo. Como eu era antes de você. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2013, 320 p.

Jojo Moyes se tornou uma das minhas autoras britânicas favoritas. Não sofrível, como Cecelia Ahern - cujos livros não consigo mais ler. "Como eu era antes de você" é um livro estarrecedor. Quando o comprei, ao saber de todo o furor sobre o romance, eu imaginei que era mais um romance água-com-açúcar, ou, como chamamos no Nordeste, "Garapa", mesmo. Nunca esperei que me depararia com um profundo e emocionante debate sobre a condição do cadeirante, no século XXI - o preconceito, os termos pejorativos, as dificuldades ao longo da jornada - e, tampouco, uma discussão sobre a Eutanásia, assunto polêmico, delicado, e sobre o qual poucas pessoas conversam à vontade. O livro começou bem despretensioso, leve. Apesar de eu ter perdido a paciência para romances, ao longo do tempo, Jojo soube construir a história de forma a chamar a minha atenção. 

Louisa Clark é uma jovem inglesa de 26 anos que acaba de ficar desempregada, e não está lidando bem com a situação.

Como explicar para aquele homem o quanto eu queria trabalhar? Ele tinha alguma ideia do quanto eu sentia falta do meu antigo emprego? (...) Nunca pensei que se pudesse sentir falta de um emprego como se sente de um braço ou de uma perna, algo que está sempre ali, que faz parte de você. (p. 20)

Em determinado ponto, Lou é chamada para uma entrevista na casa dos Traynor, para possivelmente ocupar a vaga de cuidadora de um tetraplégico, o que, a princípio, ela tem certeza de que não vai conseguir. Porém, o destino a surpreende e ela é contratada. O seu trabalho é cuidar de William John Traynor, um jovem de 33 anos que foi muito ativo antes de ser atropelado por um motociclista e perder praticamente todos os movimentos de seus membros superiores e inferiores. Will é extremamente ranzinza e o trabalho de Lou, a princípio, não é nada fácil por isso. Eventualmente, ela descobre que ele tentou se matar, cortando os pulsos, e isso a faz observá-lo com outros olhos. Aliás, um dos maiores desafios de Lou é, enquanto acompanha Will em passeios e médicos, perceber como, de fato, é difícil a vida de um cadeirante.

Há coisas que você não percebe até acompanhar uma pessoa numa cadeira de rodas. Uma delas é como a maioria dos calçamentos é malconservada, com buracos mal remendados ou desnivelada. (p. 67)
O outro grande desafio de Lou foi descobrir uma terrível verdade sobre Will, uma decisão que tem o poder de mudar a vida de toda a sua família e de afetar todos que já conviveram com ele: Will deseja ir para a Dignitas, na Suíça - uma instituição onde se pode praticar o suicídio assistido, por pessoas que não querem mais viver. Ele deu aos pais um prazo de 6 meses, antes de sua eutanásia. Como encarar este fato, esta resolução? Apoiar ou ser totalmente contra? Respeitar o desejo de quem não sabe lidar com a forma como os cadeirantes são vistos e tratados, ou insistir que a vida, acima de todas as coisas, vale a pena? A partir de então, torna-se um desejo e obsessão de Lou criar situações que façam Will mudar de ideia antes de o prazo se esgotar.

- Tudo leva tempo, Will. E a sua geração tem muito mais dificuldade de aceitar coisas assim. Vocês cresceram esperando que as coisas acontecessem imediatamente. Esperando viver da forma que escolheram. Principalmente um jovem bem-sucedido como você. Mas isso leva tempo. (p. 232)
É um livro doce, surpreendente, mas aterrorizante. Eu me imaginei de ambos os lados, mas não consigo formar uma opinião sobre o assunto. Creio que, sem ter de passar por isso, diretamente, não podemos criar uma opinião. Fica a dica: ele merece ser lido, relido, comprado para presentear e guardado com carinho na estante. E nos deixa o ensinamento mais importante, e que muitas vezes esquecemos de colocar em prática.

Apenas viva bem.Apenas viva. (p. 317)


NOTA: 5/5
 

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