12 julho 2016

[RESENHA] A Coroa (Kiera Cass)

Em A Herdeira, o universo de a Seleção entrou numa nova era. Vinte anos se passaram desde que America Singer e o príncipe Maxon se apaixonaram, e a filha do casal é a primeira princesa a passar por sua própria seleção. Eadlyn não acreditava que encontraria um companheiro entre os trinta e cinco pretendentes do concurso, muito menos o amor verdadeiro. Mas às vezes o coração prega peças… e agora Eadlyn precisa fazer uma escolha muito mais difícil - e importante - do que esperava. America Singer e o Príncipe Maxon se apaixonaram, e a filha do casal é a primeira princesa a passar por sua própria seleção. Eadlyn não acreditava que encontraria um companheiro entre os trinta e cinco pretendentes do concurso, muito menos o amor verdadeiro. Mas às vezes o coração prega peças… e agora Eadlyn precisa fazer uma escolha muito mais difícil - e importante - do que esperava. (SKOOB)
CASS, Kiera. A Coroa. São Paulo: Seguinte, 2016, 310 p.

Mal posso começar a explicar quão decepcionante o FINAL deste livro foi pra mim. Vamos caminhar pela série A Seleção: America Singer, personagem forte, cativante e imprevisível, viu-se forçada a participar de um processo de Seleção para ser a nova princesa de Illéa e a nova rainha, no futuro. Ela aceitou por causa da comida, que faltava em casa e, lá, conseguiria. Só que foi inevitável apaixonar-se por Maxon, porque ele é, bem, APAIXONANTE. Depois de uma Trilogia muito bem-sucedida, que ocorreu nos livros A SELEÇÃO, A ELITE E A ESCOLHA (Links para resenhas abaixo), Maxon e America se casaram e ela foi coroada rainha. 
A resenha conterá spoilers, leiam por sua conta e risco.

Brevemente, sobre A Herdeira: Duas décadas depois, o então Rei, Maxon Schreave, e a Rainha America, aboliram o sistema de castas e vivem no Palácio com seus filhos, os gêmeos Eadlyn e Ahren, Kaden e Osten. Sete minutos mais velha que seu irmão, Eadlyn é a primeira na linha de sucessão da Coroa de Illéa - o que deixa Ahren sempre feliz, pois ele não gostaria de conviver com as obrigações de um Rei. Em meio à trama, Eadlyn tem de aceitar o fato de que A Seleção, processo pelo qual seus pais se conheceram, terá de ser realizado também com ela, pois precisa de um companheiro para reinar - o que ela considera muito injusto, visto que não tinha planos de se casar. Assim, 25 candidatos foram selecionados, em todo o país, para concorrerem. O livro foca mais no caráter mimado e soberbo da Princesa e em seu relacionamento com os Selecionados. No final, temos uma surpresa negativa, um grande problema em família, que faz passar um filme diante dos nossos olhos, e encerra o livro em um clima grande de tensão: assim como aconteceu com seu pai, anos atrás, America sofre um infarto, logo após seu filho Ahren fugir para casar-se na França com a princesa Camille.
Sou Eadlyn Schreave e nenhuma pessoa é tão poderosa quanto eu. (p. 9)
A COROA: O ataque cardíaco sofrido por America causa grande alvoroço no Palácio e na vida de Eadlyn, cujas ações, durante todo o livro, serão influenciadas pelo fato. A então Princesa Regente - que assumiu a função do pai, porque Maxon estava completamente fora de si e incapaz de reinar, permanecendo 24 horas por dia na ala hospitalar, ao lado da esposa - foi obrigada a reduzir os Selecionados ao grupo da Elite, de apenas seis membros: Gunner, Kile, Ean, Hale, Fox e Henri. Tudo para reduzir os encargos também na competição.
Um silêncio perturbador se abatia sobre o palácio sem minha mãe e suas damas de companhia correndo de um lado para o outro e sem a risada de Ahren ressoando pelos corredores. Nada te deixa mais consciente da presença de uma pessoa do que a falta dela. (p. 9)
Eadlyn ainda é uma regente sem experiência, e muitos tentam tirar proveito do fato para tentar manipulá-la. Porém, em um quesito, ela nunca falha: firmeza e teimosia. Nesse ponto, encontrei um fator positivo: Eadlyn amadureceu muito, em pouco tempo. Seja pelo problema da mãe, seja pela necessidade de assumir as rédeas de sua vida e do Reino, ela cresceu, e a mudança é perceptível neste livro. Uma vez que a Rainha-Mãe recebeu alta, Eadlyn decidiu que seus pais deveriam descansar e aproveitar o que nunca puderam, devido às inúmeras obrigações de cuidar de 4 filhos e, tipo, um Reino Inteiro. De Princesa Regente, ela passa a Rainha de Illéa. Enquanto vivencia todos os novos encargos do Reino, ela convive com os selecionados e Erick, e depara-se com sentimentos nos quais jamais havia reparado.
(...) a beleza é subjetiva. Você sabe que às vezes, o que torna uma pessoa atraente é o jeito que ela faz você rir ou como ela parece ler sua mente? Quero levar isso em conta também. (p. 115)
O coração de Eadlyn a trai e ela se descobre apaixonada por uma pessoa completamente improvável na competição. O fator negativo é que essa paixão ocorreu muito "de uma hora para a outra" e não foi tão bem desenvolvida quanto a relação entre Kile e Eadlyn. Um outro personagem é introduzido na história neste livro: Marid Illéa, filho de August e Georgia. Eis aqui mais um ponto negativo na história: a trama vilanesca ficou incompleta e em segundo plano. Conhecemos um personagem que conquista a todos no decorrer de todo o livro, depois se prova um interessado no trono, e tem seu plano frustrado pela própria Eadlyn, sem que ela nem saia do Palácio. Tudo bem, Sun Tzu deixou um ensinamento muito claro: o ideal da guerra é vencer sem ter de lutar. Porém, faltou um pouco da ação que vimos nos livros anteriores, particularmente em "A Escolha", e que tanto agradam ao "paladar leitor".

As últimas eliminações da Seleção ocorreram de forma muito simples; outro ponto positivo, para mim, foi a autora introduzir a questão da homossexualidade, de uma forma sutil e respeitosa - mesmo que exista o estereótipo do "ah, ele era estilista, então só podia ser gay". Por fim, um acontecimento importante foi encaixado de qualquer forma nos capítulos finais do livro, não me convenceram e passei metade do tempo me perguntando o que Maxon tentava dizer com aquilo, antes de entender.


O final da saga deixou muito a desejar. Percebe-se que foi corrido, que passou de 50 a 120 km/h e que, ou o livro deveria ter se desenvolvido mais, com mais capítulos, ou uma nova obra deveria ser lançada, para amarrar melhor a saga. Muito embora, eu já tenha considerado um desastre quase completo. Salva-se pela narrativa contagiante e deliciosa de Kiera Cass!

NOTA: 3/5  

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