11 outubro 2016

[Resenha] Colin Fisher (Ashley E. Miller e Zack Stentz)

Resolvendo o crime. Uma expressão facial por vez. O ano letivo de Colin Fischer acabou de começar. Ele tem cartões de memorização com expressões faciais legendadas, um desconcertante conhecimento sobre genética e cinema clássico e um caderno surrado e cheio de orelhas, que usa para registrar suas experiências com a MUITO INTERESSANTE população local. Quando um revólver dispara na cantina, interrompendo a festinha de aniversário de uma das garotas, Colin é o único que pode investigar o caso. Está em suas mãos provar que não foi Wayne Connelly, justamente aquele que mais o atormenta, que trouxe a arma para a escola. Afinal de contas, a arma estava suja de glacê, e Wayne não estava com os dedos sujos de glacê… (Skoob)
MILLER, Ashley Edward; STENTZ, Zack. Colin Fisher. Ribeirão Preto: Novo Conceito, 2014, 176 p.
Skoob  (Livro)
Fanpage (Zack Stentz)
A vida é um mistério. E o que poderia ser melhor do que isso?
Ele não suporta que o toquem. Odeia a cor azul. Precisa de cartões de memorização facial para reconhecer as expressões das pessoas.... Assim apresento Colin! Recebi Colin Fisher em parceria com a Novo Conceito: um dos melhores lançamentos do ano. O livro foi uma agradabilíssima surpresa, visto que eu não nutri muitas expectativas acerca dele, a princípio. Em contraposição, eu me senti atraída pelo design de capa, com aquele menino sem rosto - sem expressão. Esse foi o pontapé inicial.
Aprender uma coisa era saber essa coisa; saber essa coisa era entender essa coisa; entender uma coisa era enfrentá-la sem medo. (p. 26)
A minha opinião de um livro depende da forma como eu avancei nas páginas, no decorrer da leitura, e de como chego ao final: se eu senti que não conseguia ler rápido o suficiente, de tão ansiosa que estava para descobrir o que viria depois; ou se virava as páginas morgadamente, perguntando-me quantas faltavam e porque ainda não havia acabado. COLIN FISHER enquadra-se na primeira opção.

Colin, 14 anos, acaba de ingressar na nova escola, no colegial. Encontra barreiras no primeiro dia: Wayne Connelly, o carrasco, apresenta a cabeça do protagonista a uma parte do banheiro que prefiro nem comentar. Colin é um menino especial: dono de uma memória excelente, ele tem Síndrome de Asperger - um transtorno do autismo, mais comum entre homens, que se distinguem dos autistas por apresentarem fala compreensível. É um menino adorável; mal compreendido pelo irmão, que tem ciúme da atenção dos pais para como o seu primogênito; zoado pelos meninos da escola; fã de um bom mistério. Então quando uma arma dispara no refeitório, no meio do intervalo, Fisher vê a grande oportunidade de pôr em prática todo o conhecimento que adquiriu lendo o esperto Sherlock Holmes.
... nunca se pode dizer o que um rosto impassível significa até conhecer o contexto. (p. 36)
A história é leve, bem escrita - não à toa, pois os autores são roteiristas de excelentes séries americanas; conta com boa tradução e de leitura rápida. Uma pessoa com tempo livre pode lê-lo em um dia, e vai adorar. O design de capa ficou lindo, a forma como Colin soluciona o mistério foi bem cabeça e existe verossimilhança. Os personagens, em maioria, são planos, porém nosso protagonista especial deixou-me a pensar em suas características singulares e parte de mim não queria separar-se dele, ao "final".

Os comentários de Colin no diário - as únicas partes do livro narradas em 1ª pessoa, nos permitem perceber um menino (uma criança), extremamente doce, cativante, com uma inteligência acima da média e que jamais deve ser chamado de "retardado". Faz-nos avaliar a questão do autismo e como muitas pessoas obtusas tratam as crianças como se elas fossem completamente incapazes de raciocinar e até de entender o ódio ao seu redor.
Ele nos fez avaliar a própria natureza humana.
Kuleshov confirmou uma antiga crença sobre a melhor maneira de enganar as pessoas: mostre-lhes coisas em que elas querem acreditar. O resto acontece naturalmente. (p. 72)
Sentirei falta desse guri e de seus comentários inteligentes, das ótimas notas de rodapé, que me faziam rir mais do que me informavam alguma coisa, e dessa história leve e deliciosa. Mas... aquele final não deixou margem para uma sequência? Espero que sim!! Não tive o que reclamar desse livro: nota máxima, hoje.
Recomendado!

NOTA:
4/5

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