09 outubro 2016

[RESENHA] LÁZARUS (GEORGETTE SILEN)



Lázarus - edições respectivamente da Editora Novo Século e da Giz Editorial
Lázarus gira em torno de Laura, uma brasileira que vai trabalhar em Bristol, na Inglaterra. Fechada para o amor desde a morte do marido e com um filha "aborrescente" para cuidar, nossa heroína descobre uma segunda chance na figura do irresistível Robert, para desespero do melhor amigo dela, o ciumento e apaixonado David. Enquanto Laura e Robert se envolvem, uma série de mortes misteriosas ocorre na cidade. E muitos segredos vêm à tona. A autora Georgette Silen, porém não se limita a contar uma love story com assassinatos ao fundo. A trama ganha fôlego após a resolução dos casos: entram em cena mais personagens, desafios e, claro, perigos. (Skoob)

SILEN, Georgette. LÁZARUS. São Paulo: Novo Século, 2010,376 p.

Olhei meu reflexo na janela do ônibus, para a estranha que me observava. O verdadeiro nome que eles procuram nunca pisou em solo brasileiro... Em meio aos pensamentos, não percebi a pequena senhora ao meu lado cair no sono, com seu rosário nas mãos, a Bíblia ainda aberta. Retirei lentamente a Bíblia de suas mãos para fechá-la, mas assim que toquei no livro, meus olhos caíram para a página que ela estava lendo. Era o evangelho de João 11:12. Dito isso exclamou com voz forte: ‘Lázaro, vem para fora!’. O que estivera morto saiu, com as mãos e os pés amarrados com faixas e um pano em volta do rosto. Jesus então lhes disse: ‘Desamarrai-o e deixai-o ir’. A ressurreição de Lázaro. Um forte estremecimento me tomou. Sim, o nome que eles procuram não será encontrado. Mas não é o meu verdadeiro nome que importa. Para eles, só uma coisa interessa: a cura. (P.17)
A leitura de Lázarus foi uma agradável surpresa. Fascinaram-me três pontos, em especial: a abordagem original do mito, as sequências de tirar o fôlego e o charme inigualável de Robert Fevré. Admito: Lestat e Damon Salvatore ERAM meus vampiros favoritos, até Robert Fevré aparecer. 

Lázarus é dividido em três partes e começa em uma fuga, para mergulhar num grande flashback de três anos antes, quando todos aqueles fantásticos acontecimentos entraram na vida de Laura Vargas. Museóloga, 33 anos e com uma filha adolescente, a geniosa Cínthia, Laura partiu de mudança para Bristol, na Inglaterra – terra de seu pai – ao receber o convite para ser curadora no The City Museum of Art and Gallery.  No trabalho, Laura conhece Clementine, sua chefe “osso duro de roer” e o sedutor Robert Fevré, um homem enigmático, que despertou nela sentimentos há muito abandonados. O reencontro com os velhos amigos e as raízes de sua família paterna, somados a um belo emprego na sua área, uma vida mais confortável ao lado de sua filha e uma paixão potencial... tudo isso parecia um sonho para aquela jovem profissional. E seria, claro, se um brutal serial killer não estivesse aterrorizando as noites de Bristol. Pior: não se tratava de um psicopata comum.
Não posso afirmar nada sobre o céu ou o inferno, mas penso na existência como alguma espécie de milagre. Cada um deve fazer o melhor com aquilo que lhe foi dado. (P.129)
Custei só um pouco a entrar na história e, à primeira vista, eu me assustei com a fonte pequena e os capítulos longos. Mas isto foi antes do 3º capítulo, porque a partir de então, a leitura foi frenética. Interessante é que Georgette alterna pontos de vista, de forma que o livro é narrado em 1ª pessoa por vários personagens. Eu gostaria que essas intercalações tivessem tido uma separação melhor, talvez uma identificação; de primeira, você pode ficar confuso, mas é só prestar atenção aos diálogos e aproveitar, porque assim conhecemos melhor a personalidade de cada um e os diferentes ângulos da narração. Sem contar que as surpresas são muitas, neste livro, porque nem todos são quem dizem ser! 

É um livro romântico, sensual, cheio de charme e com uma generosa dose de romantismo. Há também cenas joviais e super divertidas, especialmente quando envolvem Cínthia. Em dados momentos, a gente se sente caminhando pelas ruas e mansões da maravilha inglesa chamada Bristol. Em contrapartida, há muitas lutas corporais, suspense, assassinatos brutais, mistérios que parecem sem fim, ciúme, traição, conspirações e cenas altamente provocantes!  

Georgette ofereceu no livro uma abordagem do mito do vampiro que, pelo menos para mim é novidade, e tornou-o mais interessante, diferenciado. Eu só gostaria que a capa, apesar de entender o sentido, tivesse ficado menos vermelha. Há muitas cenas interessantes do livro que poderiam ter sido aproveitadas. Não posso mencionar aqui por causa dos spoilers ^^ 

Na história, emoções chegam ao extremo e decisões são tomadas com o calor do momento; em meio às metamorfoses, Concílios e reuniões de Ordem, as perseguições tem propósitos definidos e lógicos. O livro não fica na mesmice. Quando tudo parece resolvido, lá vem uma reviravolta! E o mais interessante é que você lê com a sensação de um ataque iminente. A qualquer momento, uma pessoa pode invadir o seu sistema, ou sua casa para recolher o que precisa. Eles podem vir de qualquer lugar; você sente certa antecipação durante toda a leitura. É em um desses pontos de virada que Laura encontra o Lázarus, a criatura lendária que confere a ela o seu dom. E tudo vira de ponta a cabeça de novo.
Se somos amaldiçoados? Não sei. Pertencemos ao céu ou ao inferno? Os seres humanos têm esse mesmo privilégio da dúvida... Creio que isso depende daquilo que fazemos com o que nos foi dado. Se merecemos as glórias do Paraíso ou as chamas das profundezas, como podemos saber? Afinal, qual espécie já voltou da morte para nos contar o que nos aguarda? (P.211)
Com programas high tech da NASA, alquimia e obras seculares de um antigo Museu Britânico, Lázarus leva o leitor por uma viagem constante no tempo e no espaço. É uma aventura de contrastes... do banho do sangue ao aroma doce das rosas; das ameaças vitais à imortalidade efêmera; da beira do abismo à tão sonhada cura, que agora percorre as veias de Laura. Este é um livro que nos faz ansiar pela sequência. Mal vejo a hora de ter a sequência em mãos, porque ficaram muitas perguntas que desejo ver respondidas! Lázarus é o primeiro de uma série de quatro livros (Lázarus, Panaceia, Nênia e Zênite), que quero ter completa na minha estante \o/ 
Recomendo convicta o/

NOTA: 
4/5

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6 Comentários:

  1. Primeiro de tudo, que ótima resenha!
    Fiquei muito curiosa pra ler o livro, isso porque não sou tão apegada a livros de vampiros!
    O livro parece bem escrito e estimulante, mesmo que inicialmente caminhe um pouco mais devagar!
    Fiquei curiosa, também, pela abordagem diferente que você disse que a autora fez! Isso é ótimo, principalmente agora, com tantos livros de vampiros sendo lançados!
    Beijos!

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  2. Que resenha MARA!!! Eu já estava querendo ler o livro, agora então...! hahaha
    Li um conto (e resenhei no blog) da autora, ela escreve muito bem!!! Só não comprei o Lazarus quando ela estava fazendo aquela promoção porque já tinha gasto todo o meu dinheiro, mas eu ainda pego um daquele pra mim! *-*
    Beijos, NikaSanc

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  3. Não conhecia nem o livro nem a autora This, foi ótima oportunidade essa que nos deu, por meio de sua bela resenha. Logicamente, eu já conhecia a história de Lázaro, mas nunca me passou pela cabeça que alguém poderia vê-la como algo vampírico. Pelo que falou, o livro me lembra 'O Código Da Vinci', com esse tipo de abordagem histórica e religiosa ao mesmo tempo, para quem gosta é um grande pedido. Eu não curto muito, mas leria sim pela curiosidade que você passou em sua análise. Hoje em dia, conseguir encontrar um livro que tem reviravoltas que se encaixam, dramas que fazem sentido, que te fazem ficar alerta para qualquer coisa à cada página são poucos, e a Georgette deve se orgulhar do que conseguiu, aliás, não pensava que ela fosse brasileira, de cara pelo nome né, rsrs. Acho que as pessoas estão vendo que vampiros é uma coisa já escrachada, então estão tentando dar novos ares, adicionar novidades ao mito e tudo mais, e eu apoio quando isso é feito de maneira coerente e eficiente, como foi feito em 'Lázarus'. Quero ler sim, vou adicionar no Skoob, e quem sabe adquirí-lo por um precinho camarada na Bienal, rsrs. A capa realmente é bem forte no tom vermelho, tudo bem que a ideia que quiseram passar era do sangue e tal, mas um simples tom avermelhado já estava bom, não precisava apertar tanto o botãozinho do 'Contraste' né, rsrsrs. Adorei a resenha completíssima This, beijão!

    ;* Livros, Letras e Metas

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  4. Esta cada vez melhor o blog.A This é uma heroina,fazer blog sobre literatura no Brasil é uma tarefa quase inglória.Parabens.Glaucio Elias

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  5. Ótima resenha This como todas as outras claro. Ganhei esse livro no dia do amigo de presente e estou lendo, estou gostando bastante também, só não estou conseguindo encaixar as datas e idades o que está me intrigando mas espero solucionar isso até o fim. E acho que vampiros são sempre vampiros, mesmo que muita gente esteja falando sobre o assunto, quando o autor é bom pode sim ser original com um tema que está tão batido. Não dá para julgar todo mundo só por que criticam o tema. Espero ser tão surpreendida por esse livro quanto fui por Anne Rice por exemplo.
    Parabéns pela resenha profissional e honesta.

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  6. Lázarus de alguma forma tem seus pontos positivos, as resenhas que já li são positivas, mas ainda não li.
    A história é intrigante e apesar de seu sobre vampiros (eu amo vampirismo *-*) não me sinto tão ansiosa pela leitura, caso algum dia, eu volte a me interessar por esse livro, vou ler numa boa, e quem sabe eu possa gostar do Robert Fevré, hahahaha Damon, sem soma de dúvidas, deixará de ser meu. kkkkkkkkk

    Bjs, This, amei a resenha.

    @PunkReader

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