09 outubro 2016

[RESENHA] LERULIAN (Dan Albuk)

A história de Lerulian ocorre em um tempo e espaço imaginário, um lugar inspirado no Planeta Terra e habitado por milhares de criaturas fantásticas. O Livro narra o conflito do jovem ferreiro Vaan Sorg, que do dia para a noite é obrigado a sair da Cidade dos Homens a mando do Rei Ulgl Aisen e encontrar ,na Cidade de Gravelt, um rapaz chamado Axel Amagog. Ao longo do caminho o rapaz encontra o mercenário exilado Rus Kaisir, que cumprindo ordens do Rei lhe entrega um pacote secreto que não deveria ser aberto por nenhum motivo até chegarem em Gravelt. Em pouco tempo, Sorg descobre que é uma peça essencial de um quebra-cabeça gigantesco, e nada é o que parece ser. É iniciada uma mortal corrida contra o tempo, onde uma espada decidirá quem irá ganhar ou perder. Alianças são formadas, cidades destruidas e amizades construídas ao longo do tempo. Em breve uma guerra estourará, e uma épica luta por poder, vingança e liberdade começará a ser travada pelo continente de Yvion. De que lado você está? Vida longa a Mão Branca!
ALBUK, Dan. LERULIAN. 2. ed. São Paulo: Novo Século, 2011, 288 p.



Tinha muita expectativa acerca de Lerulian e não me decepcionei! Li a primeira versão, em PDF, que esteve disponível para download no site do autor até o fim de 2010 e, posteriormente, o livro físico em parceria com o próprio Dan Albuk. O autor já começa com uma boa intriga, mencionando que, há muitas eras, o criador Fal-Hal presenteou cada um de seus três filhos com armas de imenso poder: para Hel-Lani, Celphicia, a balança do equilíbrio; para Gol-Grahn, Andahrion, o pergaminho da sabedoria; epara o primogênito Val-Grahn, Lerulian, a espada da força. E foi aí, na sede de poder, que começaram os problemas. Eles governaram soberanos até que o poder subiu à cabeça de Val-Grahn e ele se julgou no direito de criticar as demais criações de seu pai. No combate aos tais insubordinados, passou a usar as armas deles e se tornou cada vez mais humano, até que, como um deles, sucumbiu. Fal-Hal tirou Lerulian das mãos de seu primogênito e dividiu-a em duas metades, que foram lançadas em pontos diferentes do continente de Yvion. Sempre digo: algumas coisas, é melhor que permaneçam enterradas.

Certo homem achou que poderia ter um ganho, com a descoberta daquele estranho e belo artefato: uma espada antiga que, logo se descobriu, era capaz de garantir a vitória a seu cavaleiro, em qualquer batalha.  O que ele não sabia é que aquela espada também oferecia ao cavaleiro um terrível destino. Quase qualquer pessoa ao lado de Lerulian se torna coadjuvante: não precisa ter nome, ocupação ou família – ela domina a cena e usa o cavaleiro, em vez de ser usada por ele.

Como bom fã de Tolkien, Dan criou todo um universo para Lerulian: continente, cidades, vilarejos, fauna e flora próprias da história, alimentos de propriedades inexplicáveis. Eu gostaria de ver, na capa, a Floresta do Lago. Deve ser linda! Dan dá grande destaque a lugares e acontecimentos, talvez um mais do que às pessoas. Ele faz descrições incríveis dos espaços, de uma forma que faz você querer fechar os olhos e visualizar o local, como o “Efeito Lothlórien” de Tolkien. Lerulian tem um território totalmente criado para ele. Somos apresentados a lugares de sonho, como o Vale Ygara, a tribo que lá vive (coisa de James Cameron) um lugar que só de imaginar deixa meus olhos brilhando.Também há criaturas bizarras e apavorantes, como as mulheres de garras e os Silcs: há monstros diferentes, em Lerulian. Seja lá o que são as mulheres aladas, a imagem delas e seu poder me assustou mais do que os dementadores e, quanto aos Silcs, o encontro com eles me deu arrepios na nuca! Sorg é muito corajoso! Ou muito tolo.

Criaturas bizarras, missões perigosas e mistérios envolvendo sua própria vida são algumas das malas que o jovem ferreiro Vaan Sorg carrega em sua bagagem, quando é forçado a deixar sua terra a mando do rei. Ele vivia na Cidade dos Homens, tinha apenas 17 anos, não era alto ou forte. Ajudava o pai, Thorg, na Casa de Ferragens Fogo Amigo – Onde sua lâmina corta mais! Na verdade, o talento do rapaz era mais no uso do que na fabricação das espadas. Algo que gosto em Sorg é que ele tem respostas prontas na ponta da língua, não leva desaforo para a viagem e não se deixa intimidar facilmente - não importa qual é o tamanho da pessoa que o desafiou. 

A jornada é um elemento atrativo: o personagem define seu objetivo, encontra seus aliados e segue viagem, conhecendo lugares que, talvez em outra situação, não conhecesse. Mas Vaan Sorg nutria desejos perigosos. Pôs na cabeça a vontade premente premente de sair em viagem para além do vilarejo de 4 folhas. Quis tanto, que conseguiu, só que acabou sendo forçado e por uma razão bem desagradável. Fica a lição: cuidado com o que você deseja – você, de fato, pode conseguir. Há tantos mistérios naquela terra de homens e duas luas... Por que o rei da Cidade dos Homens não se apresenta aos súditos desde sua coroação? Que parte da história de Rhynna precisava ficar encoberta? E (WTH) que criatura bizarra era aquela que parecia controlá-la?

Eu tenho paixão por neblina. A névoa exerce algum tipo de encanto nas histórias que não sei descrever e talvez tenha sido a sua presença etérea que tornado algumas cenas ainda mais aterrorizantes. E algumas sequências ficaram claramente Stephen King – perfeita influência. Inclusive naquele Momento John Coffee, do início. Um conjunto de mal-entendidos se torna uma perseguição e, enfim, uma fuga pela sobrevivência, com direito a seres curiosos e mais mistérios pelo caminho. Sorg ainda precisa lidar com as consequências da volta da Língua Negra e com o fato de virar portador de um objeto estranho até Gravelt. O rapaz nota que o pequeno pacote ganha peso a cada dia, o da responsabilidade; mas precisa levá-lo para Axel Amagog. No caminho, conhece o grande Rus Kaisir, líder dos Exilados, pago para escoltá-lo, e descobre mais sobre a sua família do que esperava. O livro tem muitas viradas bruscas e de vez em quando, vemos que nada é o que parece, então leiam com atenção.

O livro está repleto de personagens carismáticos. Tive a impressão de que daria boas gargalhadas com Lothar e Null, e não me enganei. Além do mais, ele são muito corajosos, Lothar me surpreendeu com a coragem e o humor pitoresco - eu ri toda vez que ele abriu a boca, mas gargalhei mesmo com o efeito d’A Sopa em A Valsa! Vocês precisam ler. Rus Kaisir é muito corajoso e nada delicado ou sutil. Em compensação, um amigo para todas as horas. O mago Axel Amagog é um feiticeiro à moda antiga. Em certos momentos, comparei o grupo aos personagens de Caverna do Dragão. Yeah, baby, yeah! A surpreendente Hélora Amagog, que não é nenhuma princesinha, hein? Elegantemente bad ass

– Você tem certeza que ela é uma mulher? – perguntou Lothar para Axel – Porque certamente ela é mais homem do que eu! (p. 235)
Sorg descobriu durante e jornada mais do passado de sua família e do Rei, e ainda tomou conhecimento da Mão Branca, que tanto respeito inspira nos esperançosos daquelas terras abandonadas pela fé.

Na segunda vez em que a gente lê uma história, é comum notar coisas que passaram despercebidas; ao mesmo tempo, outros detalhezinhos acabam se fixando na sua cabeça e definem o tom do livro. Eu simplesmente, adoro esta história e foi muito mais divertido lê-la no formato livro!! Nesta releitura, novas questões se juntaram às antigas, e ainda me impressiona a criatividade de Dan, sua escrita madura, típica de um fã de Tolkien, com fortes doses do horror de King. Aqui e ali, uma pitada de Julius Verne pode ser registrada. Novamente, gostaria apenas que a revisão da editora tivesse sido mais generosa, porque este é um aspecto extremamente importante. Mas continuo amando esta história e desejando que vá parar nas telonas o quanto antes - mesmo com algumas cenas que terão alta classificação hehehe. 
Recomendo!


NOTA: 4/5

Comentários via Facebook

2 Comentários:

  1. Não li nenhuma das edições mas fiquei curiosa, com toda a certeza será um dos próximos.
    Ótima resenha!

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  2. Me interessei demais por este livro, a temática é muito interessante e atrativa. Essa resenha só me deixou com mais vontade de ler!

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