10 outubro 2016

[Resenha] A Máquina de Contar Histórias (Maurício Gomyde)

Na noite em que Vinícius Becker, escritor best seller, lançou A Máquina de Contar Histórias, seu novo romance e o livro mais aguardado do ano, sua esposa Viviana faleceu sozinha num quarto de hospital. Odiado pela filha mais velha, por conta de sua ausência em casa para cuidar da carreira literária ascendente, ele vê seu mundo ruir. Agora, sem o amor da sua vida, sem o carinho da filha e sem amigos, a estabilidade que ele lutou para obter se revela um castelo de cartas. Vinícius teve o mundo nas mãos, e agora, sozinho, precisa se reinventar para reconquistar o amor das filhas e seu espaço no coração da Família V. Uma história emocionante, cheia de significados entrelaçados pela literatura, mostrando que o amor de um pai, por mais dura que seja a situação, nunca morre nem se perde. (SKOOB)
GOMYDE, Maurício. A máquina de contar histórias. Ribeirão Preto: Novo Conceito, 2014, 191 p.
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- Você não acha que todas as histórias já foram contadas e que tudo não passa de reinvenção da roda?- Em essência, eu acho. Talvez você jamais vá encontrar uma ideia totalmente original. Isso seria o Santo Graal do escritor, nossa eterna busca. Portanto, original deve ser a forma de contar a mesma história.

Bom, ser blogueiro literário e não conhecer Maurício Gomyde é ser poser. Sempre tive a curiosidade de conhecer o trabalho dele desde O Mundo de Vidro, porém a oportunidade nunca chegava. E eis que vem um romance doce, inteligente, recheado de problemas familiares, que todos curtem espiar - quando não se trata dos problemas de sua família. 

A Máquina de Contar Histórias é sutil e forte. Fala de família e dor, morte e recuperação de um amor perdido, mas também da resignação diante daquilo que não se pode recuperar. Fala de trabalho e talento, do mundo do escritor e de técnicas que ficamos tão curiosos para conhecer a fundo. Maurício vem falar da vida de um escritor de sucesso, que viu escorrerem por suas mãos a vida frágil da esposa e o amor das próprias filhas, antes de perceber o tamanho do dano causado e de imaginar o que faria para correr atrás do tempo perdido. Valentina e Vida são suas personagens de personalidade forte, inestimáveis, e apaixonei-me por elas, mais do que pelo próprio Vinícius. As consequências da ausência de um pai, no momento mais crítico de uma família, foi bem explorado, no decorrer das páginas, enquanto o autor mescla cenas do presente com memórias que insistem em persegui-lo. Há uma carga sentimental e de culpa transbordando pelas páginas.
A gente não aprende lendo, aprende vivendo. E a vida, por mais que uma quantidade de pessoas acredite nisso, não é feita de métodos, fórmulas, dicas ou listas de recomendações. Ela é feita de sentimentos pelas pessoas que estão ao lado, ou por aquelas que estão longe, mas que, só por pensarem na gente, já fazem toda a diferença.(p. 68)
Afora alguns erros de revisão, que posso ter confundido com o jogo estilístico do autor, -é um livro incrível. Aprovo e recomendo para pai, mãe, filhas e leitores que curtem um bom romance, sem os exageros e sentimentalismo que, tantas vezes, estragam uma boa leitura. A revelação da correspondente misteriosa me causou profunda surpresa, porque, em nenhum momento, esperei por aquilo! Maurício criou uma obra cativante e bela, ideal para se ter na estante, reler durante a vida e relembrar daquelas coisas importantes que insistimos em esquecer: o valor da pequenas coisas.
RECOMENDO!!

Nota:
4/5

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