23 outubro 2016

[Resenha] O Lado Bom da Vida (Matthew Quick)


Pat Peoples, ex-professor trintão, acaba de deixar uma clínica de tratamento psiquiátrico. Certo de ter vivido lá por apenas alguns meses, ele não se lembra do que o fez ir para "o lugar ruim". Só tem certeza de uma coisa: sua esposa Nikki havia pedido que ficassem um "tempo separados". Com a memória cheia de lapsos, Pat encara seu novo mundo, e ele nãoparece bom. Não tem a simpatia do pai, a esposa não quer contatá-lo, os amigos evitam falar sobre o período pré-"lugar ruim". Pat, agora viciado em malhação, está determinado a ter sua mulher de volta e mal tem olhos para a linda viúva da vizinhança que tem um interesse especial nele. (SKOOB)
QUICK, Matthew. O lado bom da vida. Tradução de Alexandre Raposo. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012. 256 p.
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Eu me apaixonei pelo livro de uma forma muito estranha. Pat Peoples é um personagem e tanto, que não está passando pela melhor fase de sua vida. Acaba de deixar uma clínica psiquiátrica, depois de um incidente que ele acabou bloqueando da memória, e aguarda ansiosamente o fim do “tempo separados” entre ele e Nikki, sua mulher - que o teria deixado porque ele não era um bom marido. Em seguida a todos os fatos traumáticos em sua vida, Pat decidiu adotar o estilo "Otimista a Todo Custo", que deixa sua raiva dominá-lo quando encontra pessoas pessimistas.
Não quero ficar no lugar ruim, em que ninguém acredita no lado bom das coisas, no amor ou em finais felizes, e onde todo mundo me diz que Nikki não vai gostar de meu novo corpo, nem vai querer me ver quando acabar o tempo separados. Mas também tenho medo de que as pessoas da minha antiga vida não sejam tão entusiásticas quanto estou tentando ser agora. (p. 8) 
Tornaram-se obsessões: evitar as músicas de Kenny G, reencontrar-se com Nikki, malhar “30 horas por dia” e ler todos os livros que a esposa curte. Qual o problema disto? Pat não se contenta em ler, mas precisa refletir sobre aqueles livros, logo, isto se torna um ponto negativo para quem pretende ler O GRANDE GATSBY, A REDOMA DE VIDRO, APANHADOR NO CAMPO DE CENTEIO, ADEUS ÀS ARMAS e outros: uma chuva de spoilers dentro do livro! O autor, pela voz de Pat e de outro personagem, acaba iberando vários spoilers dessas histórias, ao contar a essência de cada um. Se não quiserem saber, lamento, porque cada livro foi importante na trajetória de Pat. 

A primeira metade da curta obra constrói uma base bem humorada, mas a nossa atenção sempre é atraída ao estado instável de Pat. Avançamos rapidamente, motivados por desvendar o mistério sobre Nikki: ela o deixou ou Pat a abandonou? Ela está viva? Ela realmente existe ou é fruto de sua imaginação? Será uma amiga imaginária de infância, por quem, estranhamente, se apaixonou? E por que ele não consegue dar uma chance à bela, viva, próxima Tiffany?
... Tiffany nem fala comigo e parece sempre tão distante quando estamos juntos. Além disso, Tiffany é muito bonita, enquanto eu não envelheci nada, nada bem.- Ela é só uma mulher estranha.- E não são todas assim? – responde Cliff – e rimos um pouco, porque as mulheres são realmente muito difíceis de se entender, às vezes. (p. 115)
Não curto realmente futebol americano, e boa parte do enredo é dedicado a ele, ao time do coração de Pat e família – Os Eagles – e ao hilário grito de guerra dos torcedores fanáticos, mas esta parte é super divertida. Especialmente, quando vemos o envolvimento de Patel. As sessões de terapia são um caso único, e confirmam o Dr. Patel como o melhor terapeuta do mundo. Sempre agradáveis, mostraram-se cenas curtas demais, e gostaria de ter visto mais daquele profissional capaz de ver além do paciente – enxergando as batalhas que levaram um ser humano àquela cadeira negra deprimente.

Vários personagens têm vida própria na história: Ronnie, Verônica, Emily, Jake e, em especial, Tiffany. Irmã de Verônica, Tiff é uma jovem viúva, profissional de Dança Moderna, que ainda não superou a morte do marido. Alguém mentalmente perturbada o bastante para compreender Pat como nenhuma outra pessoa que ele conheça. Com ela, não precisa ter reservas ou fingir estar melhor do que realmente se sente. É por ela que Pat se envolve com a dança, e adorei tudo nessa fase, mas gostaria que se tivesse estendido mais. Por que manter-se apegado à ideia de Nikki e não dar uma chance a Tiffany? São dois casais, dois absurdos romances, e você permanece na dúvida sobre a existência de cada um deles.
Vou lhe dizer o mesmo que lhe disse quando expliquei aos meus alunos sobre a natureza deprimente da Literatura Americana: a vida não é um filme de censura livre, para fazer com que a pessoa se sinta bem. Muitas vezes, a vida real acaba mal, como aconteceu com o nosso casamento, Pat. E a literatura tenta documentar essa realidade, mostrando que ainda é possível suportá-la com nobreza. (p. 193)
Fiquei satisfeita e desapontada ao mesmo tempo, ao descobrir a verdade sobre Nikki. Oi?
Sim. As últimas 100 páginas não poderiam ficar para o dia seguinte, simplesmente não era uma opção. Pat entrou em uma jornada para tentar ser gentil, mais do que mostrar estar certo o tempo todo. Não consigo admirá-lo, porém. Ele via coisas que não estavam ali, enquanto a realidade dançava diante de seus olhos, e ele resolveu bloqueá-la, como fez com seus traumas. Não é um dos meus personagens favoritos na história e, ao mesmo tempo, sinto que jamais o esquecerei; porque ele é único e também porque senti afinidade com ele em determinados momentos; senti pena em muitos outros – o que não curto sentir por um personagem, já que admiro os superadores. Não receberá nota máxima hoje. No entanto, amei esse livro e seu final, e recomendo-o, sim!
\\o Boa Leitura o//

NOTA: 4/5

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4 Comentários:

  1. Oi flor!
    Eu preciso ler esse livro, estou curiosíssima por ele!
    Não sabia dos spoilers dessas obras, vou ver se leio O Grande Gatsby primeiro porque tenho interesse nessa leitura. Já li O Apanhador no Campo de Centeio, então quanto a essa não haverá problemas pra mim.
    A parte do futebol americano não agradou muitas pessoas e fiquei curiosa pelo final por causa dos seus comentários.
    Enfim, espero gostar da leitura!
    Beijão!

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  2. Eu já li esse livro e é muito bom. Eu acho lindo como as coisas acontecem por acaso, duas pessoas com problemas se ajudam e acabam se apaixonando.
    Amei o livro e a sua resenha.

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  3. Ja li e amei tambem �� acho linda a maneira como ele sempre prefere ver o lado positivo das coisas e encontra motivacao em coisas simples do dia a dia pra continuar ❤

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  4. Eu amo esse livro e o filme tbm!
    Acho muito legal! Eu li em pdf e quero muito ter o livro!
    Acho tão lindo e amo a escrita do Matthew!
    <333

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