13 novembro 2016

[Resenha] Jogos Vorazes (Suzanne Collins)

A América do Norte foi destruída em decorrência do aquecimento global e das inúmeras enchentes que assolaram seu território. No lugar daquele continente, surge uma nação unificada de nome PANEM. A sede do governo está na Capital, cidade livre de sofrer das carências múltiplas que assolam a nação, sendo a fome a pior delas. PANEM era formada por 13 Distritos originalmente, mas após a rebelião do 13º distrito, ele foi destruído e as leis passaram a ser muito mais rígidas e obedecidas cegamente. A Capital faz questão de mostrar seu poder inquestionável perante os 12 distritos restantes, e a maior ferramenta de controle são os Jogos Vorazes. Trata-se de uma competição transmitida ao vivo para o país, todo ano: um menino e uma menina de cada distrito, de idade entre 12 e 18 anos, são sorteados e obrigados a lutar até a morte ou a vitória em uma arena cheia de perigos além dos humanos. Oferecendo-se como tributo no lugar da irmã sorteada, Katniss vai à Capital lutar pela sobrevivência. Oriunda do carente Distrito 12, ela é dura na queda e terá reais chances de escapar à morte, enquanto puder. O tributo masculino de seu distrito é Peeta Mellark, com quem ela tem uma dívida não-acertada, de muitos anos. Apenas um tributo pode vencer, obter fama e uma polpuda soma em dinheiro como prêmio. Quem perder, morre na arena. Você estaria disposto a tudo, para sobreviver? O que fará Katniss, quando chegar a hora de salvar a própria pele? (Skoob)
COLLINS, Suzanne. JOGOS VORAZES. São Paulo: Rocco, 2011, 300 p.


Feliz Jogos Vorazes! E que a sorte esteja sempre a seu favor! (p. 26)

Depois de umas 500 resenhas do livro publicadas (419 só no Skoob, até então, porque hoje há mais de 1730 publicadas), uma irrelevante taxa de abandonos e trocas em relação ao total, cá estou de novo, em ressaca literária por causa de Jogos Vorazes. Comprei o box e os outros 2 livros estão na fila de leitura para breve, muito breve! Além da chuva de opiniões positivas sobre a trilogia, fiquei encantada ao ver as declarações de dois dos meus escritores favoritos [King e Meyer] sobre a leitura, então fui com fé.

Comecei a ler JV numa segunda-feira e, já nas primeiras páginas, fui fisgada pela razão do sucesso entre milhões de fãs no mundo... Sabe aquele livro que você começa a ler no fim da tarde e, quando olha para o relógio, são onze e meia da noite e você já passou da página 150? É o caso.

JOGOS VORAZES é uma Distopia. A obra tem personagens fortes, inspira muitos sentimentos contraditórios no leitor e nos faz refletir sobre valores e princípios, convenções sociais, a luta pela sobrevivência e o jogo dos opostos e extremos. Os números são claros: 24 jovens são selecionados, 2 de cada distrito de Panem, e apenas 1 pode sagrar-se vencedor, após a morte dos demais competidores. Ao mesmo tempo, é uma oportunidade de ajudar sua família, seu distrito e escapar das necessidades que vivenciou até então. E uma personagem espetacular como Katniss deu vigor a essa competição. Uma mocinha bad ass.
... não é da minha natureza cair sem lutar, mesmo quando as coisas parecem insuperáveis. (p. 43)
Devastada pelo aquecimento global e males do mundo antigo (os tempos atuais), Panem ainda é assolada pela fome, em contraste com o luxo e os exageros da Capital, sua tecnologia de ponta, sua dissimulação e as rédeas curtas mantidas sobre os distritos submissos. Ela manda e desmanda, e eles obedecem ou serão severamente punidos. Simples assim. O livro é narrado em primeira pessoa e no tempo presente, o que foi um diferencial para mim - não me lembro de já ter lido algo com esse foco e tempo. E o final é surpreendente. Não me causou a sensação de clímax - na verdade, ficou foi uma forte sensação de anticlímax - mas me deixou feliz e querendo muito mais. 
- Katniss, a coisa não passa de uma caçada. Você é a melhor caçadora que conheço.- Não é só caçada. Eles estão armados. Eles usam a cabeça.- Assim como você. E você tem mais experiência. Experiência real. Você sabe como matar.- Não pessoas.- E que diferença pode ter? – indaga Gale, de modo sinistro. (p. 47)
Os personagens são cativantes e verdadeiros; eles chamam atenção por características marcantes e, mesmo que tudo seja visto do ponto de vista da heroína da história, os outros personagens têm vida própria.

Katniss. Forte, determinada, uma sobrevivente. Ela é a donzela salvadora, que não precisa de resgate, mas resgata os príncipes! Atrevida, inteligente e provedora da casa desde a morte do pai, ela sustenta a mãe e a irmã, Prim, a quem ama mais que tudo na vida. Ainda assim, tem sentimentos confusos e dúvidas como qualquer ser humano, e tem de aprender a lidar com as próprias fraquezas. Peeta. Protetor e carinhoso, é a personificação da gentileza e do calor humano, então às vezes nos faz ter dúvidas sobre sua capacidade de se manter vivo, em situações extremas. Gale ficou em aberto, para mim. Acredito que os livros seguintes trarão mais material para analisar esse triângulo amoroso super confuso que se formou "sem querer-querendo-não-tem-jeito". Effie é a figura da hipocrisia, superior e enigmática. Na minha cabeça, a imagem dela personifica a da Capital. Haymitch, surpreendente e destrutivo, mas foi um dos meus favoritos. Destaco ainda Ceasar, que me fez sorrir pela primeira vez durante a leitura: uma brisa ante a tormenta. 
A ideia me deixa um pouco paralisada. Um Peeta Mellark gentil é muito mais perigoso para mim do que o contrário. Pessoas gentis conseguem se instalar dentro de mim e criar raízes. E não posso permitir que Peeta faça isso. Não posso deixar que ele chegue lá. (p. 56) 
Por outro lado, gostaria de ter conhecido melhor os outros personagens, até os Tributos Carreiristas. Ver mais de Peeta, de Rue, informações que eu pudesse acompanhar com fichas, por exemplo. Reconheço que a visão de Katniss condensou o livro, mas seria interessante ver o ponto de vista dos demais.

A regra dos Jogos Vorazes é uma só: sobreviva enquanto tenta matar seus oponentes, porque só quando o penúltimo cair morto, o último tributo será declarado vencedor. Os competidores são levados a extremos físicos e psicológicos numa luta até a morte por um vultoso prêmio financeiro e reconhecimento, ao fim dos Jogos, que efetivamente, parecem um Torneio Tribruxo mais cruel em formato de reality show de alcance nacional. Não consegui deixar de fazer a associação. Durante a leitura, a gente questiona muitas coisas: os grupos e as eliminações inevitáveis, traição, medo, estratégia. E como tudo isso é importante em algo dessa magnitude. Eu me flagrei evitando apegar-me a qualquer personagem porque sabia que qualquer um deles poderia morrer ali.
Ter um parceiro do seu lado sempre diminui o fardo, inclusive nas coisas mais simples. (p. 121) 
A Capital e sua petulância chegam a causar repugnância. É chocante, perturbador e revoltante ver uma sociedade sob essa perspectiva. O livro traz uma forte crítica social, marco das distopias: uma civilização pessimista, segregante, repleta de desigualdades e conivente com a má distribuição de recursos. Encontrei raríssimos erros de impressão, adorei o design interno, perfeito à leitura, sendo o livro de tamanho ideal para levar na bolsa. E curti também a capa por respeitar o desenho original americano. Só não gosto da fonte do título do livro.
- Algum último conselho? - pergunta Peeta.- Quando o gongo soar, deem o fora de lá. Nenhum dos dois está preparado para o banho de sangue na Cornucópia. Simplesmente sumam de lá, distanciem-se o máximo que puderem um do outro e dos outros tributos, e achem uma fonte de água - diz ele. - Entenderam? - E depois disso? - pergunto. - Fiquem vivos. (p. 153)
Esta é uma história rápida, cheia de ação, típica leitura de fôlego e um alerta à sociedade: cuidemos do mundo para que nada chegue a este ponto. Tudo é um jogo de vida ou morte. A onda do momento, como alguns blogueiros previram em 2011 são as distopias. E o assunto é realmente interessante, pessoas. Sugiro que leiam o livro [jovens e adultos, não é livro para o público infantil], procurem inteirar-se sobre o tema, porque muitos sucessos distópicos virão ainda, tenho certeza.

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8 Comentários:

  1. Não vejo a hora de meu exemplar chegar. Cara, acho que o Brasil todo já leu essa série e eu não. Pô, quando o tiver em mãos o devorarei desesperadamente.
    Todas as resenhas que leio dessa série, todas transbordam elogios.
    Adorei a sua!

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  2. Jogos Vorazes está dando-me comichão! Estou louco para ler o livro, nem vi o filme, pois quero ler o livro primeiro! Parabéns pela resenha é linda demais!

    Dá uma passadinha no meu blog e conheça as minhas resenhas. Abraço.

    paranoiadasideias.blogspot.com

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  3. Nossa, amo Jogos vorazes!
    Sua resenha ficou otima, parabéns!

    Beijos,
    Feh

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  4. Ainda não li mas em breve espero fazer isso. Achei a proposta da autora muito boa mesmo e que loucura como ela teve essa ideia. Os livros sobre distopias estão em alta mesmo, acho que todos deveriam ler 1984.

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  5. Eu nem acredito. Ainda nao li esse livro. Nem consegui comprar. E, a cada resenha que leio fico com mais vontade de ter a trilogia. Mas acho que vai ficar para depois da Bienal que eh quando pretendo comprar.
    Adorei a reseha. Super detalhada, sem spoilers. Amei Thiz.

    bjs.

    http://booksandmuchmore.blogspot.com

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  6. Também não lembro de ter lido um livro que seja desse modo o qual você falou.
    Gosto mais quando o livro mostra a visão dos outros personagens, em vez de somente um, pois assim podemos conhecer melhor cada um.
    Adorei a resenha, não vejo a hora de poder ler!!

    Beijos

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  7. Puxa, fiquei maluca quando li a primeira sinopse desse livro. Aí, foi uma correria, mas o box tava e ainda está caro demais..rs
    Acabei chorando tanto que ganhei o primeiro livro de presente de um sobrinho. E li ele todinho em um dia apenas. Que leitura eletrizante!!!
    Um jogo de sobrevivência como nunca vi igual.
    Impossivel não ler ele na rapidez que o livro permite.
    E como vc citou em sua resenha, cuidemos do mundo para que jogos assim, só aconteçam nos livros e filmes!!
    Resenha impar :)

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  8. Jogos Vorazes entrou pra minha lista de livros favoritos de todos os tempos. Não consigo chamar a Katniss de Katniss e sim de Catnip, então dá pra ter uma ideia de quanto me senti proxima dela durante a leitura. Ela é uma das melhores "mocinhas" da literatura. No trecho que você posta da conversa entre Gale e Katniss fica bem óbvio como é a personalidade dele, eu torci 100% pro Peeta no triangulo amoroso desde o primeiro livro.Também curti demais o Haymitch nesse primeiro livro, mas nos outros só melhora.Também queria saber mais sobre os Tributos Carreiristas. Adoro o conselho que Haymitch dá a eles, resume muito bem tudo o que acontece dali pra frente. Ótima resenha e sem nenhum spoiler :)

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