11 janeiro 2017

[RESENHA] 2017.1 Orgulho e Preconceito (Jane Austen)

Este romance aborda a vida em sociedade na Inglaterra rural do século XIX e foca, em parte, no relacionamento entre Elizabeth Bennet e Mr. Darcy. Lizzy possui mais quatro irmãs (Jane, Lydia, Mary e Kitty)todas solteiras - algo que a mãe delas considera ultrajante. Quando Mr. Bingley, um jovem solteiro e abastado, aluga Netherfield - uma mansão próxima da casa dos Bennet, a Sra. Bennet já imagina um marido para qualquer uma de suas filhas. E ele parece bem afeiçoado à primogênita Jane, desde o primeiro baile a que ele, suas irmãs e Mr. Darcy foram. Enquanto Bingley é amado por todos, Darcy, por outro lado, é afamado como orgulhoso e soberbo. Lizzy o detesta, pois ele a magoou naquele mesmo baile... Porém, mesmo sob a má primeira impressão, Darcy realmente se encanta em segredo pela segunda Bennet, e o livro mostra a evolução dos sentimentos entre eles e os que os rodeiam, procurando apresentar também, desse modo, a sociedade do final do século XVIII. [SKOOB]

AUSTEN, Jane. Orgulho e Preconceito. Trad. Marcella Furtado. São Paulo: editora Landmark, 2012, 445p.

Bem, não é um dos meus livros favoritos.
CALMA, fãs, eu hei de explicar. 

O livro narra o modo de vida e a sociedade novecentista rural inglesa, enquanto foca nos romances formados por todo o livro. A obra chama nossa atenção pelas peculiaridades de um tempo que já não é o nosso, mas gera bastante curiosidade. Ainda me espanta a forma como os homens eram avaliados por sua renda anual, pelo sucesso ou fracasso financeiro, para serem considerados bons partidos; bem como as mulheres passavam por essa avaliação, em matéria de beleza estética e dote, sem falar em vários "dotes" e prendas, antes de serem consideradas boas potenciais esposas. 
"A quem se refere?" e, virando-se por um momento, viu Elizabeth, que cruzou seu olhar fazendo-o retrair o seu, e friamente disse, "Ela é tolerável, mas não bela o bastante para me tentar" (Darcy, p. 21)
Mr. Darcy não exerceu sobre mim a mesma influência que tem ao redor do mundo. Muitas leitoras veem nele a visão de um homem perfeito, ou muito charmoso, e ele tem essas características, sim, porém não é o símbolo de homem perfeito, para mim. Gostei da evolução do personagem, especialmente no tocante aos seus sentimentos por Lizzy Bennet, que já havia esnobado antes. Porém, permaneci com aquela imagem do jovem orgulhoso, soberbo, até o fim. O que ele fez por Bingley é algo que um bom amigo faria, mas acredito que comunicação aberta resolveria muitos problemas. Porém, o conflito iria para o espaço.

Lizzy Bennet é, de longe, meu personagem favorito na história. Forte, determinada, muito à frente de seu tempo, não aceita casamentos por favores, vendas ou conveniências. Ela é a mulher mais forte do seu século. E só parou de resistir ao casamento quando ele, de fato, significou Amor, e não Acordo. Um exemplo de Girl Power. Ela é perspicaz, impetuosa, porém, seu ódio pelo desprezo de Darcy para com ela a tornou tão cega, que chegou a acreditar no que dizia Wickham sobre ele.
O orgulho está mais vinculado à nossa opinião de nós mesmos, e a vaidade, ao que achamos que outros pensam de nós. (Mary, 29)
Não conferi ao livro essas 4 estrelas por falta de qualidade, não se enganem, caros leitores. Jane Austen foi, é e eternamente será uma das maiores escritoras e cronistas do cotidiano da história. A nota se deveu à ausência de grandes reviravoltas, do elemento surpresa, daquela trama que envolve e nos faz desejar ler o próximo capítulo logo. Tenho maior apreço por narrativas que são como ganchos e âncoras, e nos arrastam para o fundo daquilo, a ponto de não querermos mais sair daquele universo. Mas a minha sensação sobre Orgulho e Preconceito não foi bem esta.

Se eu leria mais livros de Jane Austen?
CLARO QUE SIM. De fato, já comecei a procurar Emma, Persuasão e Razão & Sensibilidade, Mansfield Park, Northanger Abbey, entre outros. Jane tem uma escrita irônica, e destaca personagens pontuais que se mostram alheios ao sistema da época, às regras e esquemas. Ela era da aristocracia agrária inglesa, oriunda de Hampshire, logo, tinha conhecimento de tudo que cerca a nobreza da época e o casamento. Apesar de ser considerada conservadora, Jane, pela voz de Lizzy Bennet, se torna um ícone da educação feminina - não exatamente do feminismo. Eu percebi em determinado trecho que o pai de Lizzy menciona que "ela teria admitido o futuro marido como seu superior", e ela não o rebateu, o que foi um pouco contrário à imagem que construí dela ao longo do livro, mas tampouco a apaga.



É assustadora a forma como algumas mulheres da época (representação por um personagem) se conformariam em ter uma boa posição social e boa renda, em troca de um casamento. Pareciam estar criando alianças, e não alimentando um amor. Lizzy, por outro lado, além de ser esperta, tem fé. Ela acredita em um casamento por Amor e, por isso, defende o que Jane sente por Bingley. Mas será que o afastamento dele será resolvido?



Percebi alguns equívocos chatos de revisão e a ausência de palavras completas, que no próprio texto em inglês também não estavam. O ponto alto é o capítulo 34, por razões que não descreverei, para que tenham o sabor dessa vitória - afinal, foi o melhor capítulo. Os 10 capítulos finais, que li em sequência, não melhoraram a ideia que tive do livro como um todo e eu sei que meio mundo vai considerar isso quase um crime, porém o livro me despertou poucos momentos de emoção. Respeito-o pela importância histórica e literária dele e de sua autora, e recomendo como leitura obrigatória de todo ser humano, do sexo masculino ou feminino, que queira conhecer a sociedade inglesa aristocrática do século XIX.


NOTA:
4/5

Comentários via Facebook

1 Comentários:

  1. Thay!
    Fato é que o livro é um clássico.
    Sr. Darcy não é o homem perfeito, mas é o homem desejado em nosso imaginário, aquele que queremos ter em nossas vidas.
    O que acho melhor no romance é que não 'tem pegação', É UM AMOR PURO, QUASE INGÊNUA, APESAR DA ImPETUOSIDADE da protagonista.
    “O saber se aprende com os mestres. A sabedoria, só com o corriqueiro da vida.” (Cora Coralina)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de JANEIRO dos nacionais, livros + BRINDES e 3 ganhadores, participem!

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