27 fevereiro 2017

[RESENHA] A Revolução dos Bichos (George Orwell)

Um clássico moderno de Orwell, um dos mais influentes escritores do século XX, 'A Revolução dos Bichos' é uma fábula sobre o Poder e o que ele faz conosco. Conta a rebelião dos animais de uma granja contra seus donos. Progressivamente, porém, a revolução degenera numa tirania ainda mais opressiva que a dos humanos. Escrita em plena Segunda Guerra Mundial e publicada em 1945 depois de ter sido rejeitada por várias editoras, essa pequena narrativa causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente na luta contra o eixo nazifascista. De fato, são claras as referências: o despótico Napoleão seria Stalin, o banido Bola-de-Neve seria Trotsky, e os eventos políticos - expurgos, instituição de um estado policial, deturpação tendenciosa da História - mimetizam os que estavam em curso na União Soviética. Com o acirramento da Guerra Fria, a obra passou a ser amplamente usada pelo Ocidente nas décadas seguintes como arma ideológica contra o comunismo. O próprio Orwell repetiria o mesmo gesto anos mais tarde com seu outro romance 1984, finalizado-o às pressas à beira da morte para que o mesmo service de alerta ao ocidente sobre o horrores do totalitarismo comunista. É irônico que o escritor, para fazer esse retrato cruel da humanidade, tenha recorrido aos animais como personagens. De certo modo, a inteligência política que humaniza seus bichos é a mesma que animaliza os homens. Escrito com perfeito domínio da narrativa, atenção às minúcias e extraordinária capacidade de criação de personagens e situações, A revolução dos bichos combina de maneira feliz duas ricas tradições literárias: a das fábulas morais, que remontam a Esopo, e a da sátira política, que teve talvez em Jonathan Swift seu representante máximo. (ADICIONE O LIVRO AO SKOOB)
ORWELL, George. A revolução dos bichos. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, 147p.
O Homem é o nosso verdadeiro e único inimigo. Retire-se da cena o Homem e a causa principal da fome e da sobrecarga de trabalho desaparecerá para sempre. (12)
Um clássico em plena Modernidade. Seu autor é uma das mentes mais influentes do século passado, e a obra, em si, é uma bela e irônica fábula sobre o Poder e o que ele faz com os seres da Terra, sejam homens, sejam bichos. Da primeira à Última e Impactante frase, a obra me encantou, me fez pensar, e é uma adição maravilhosa, do mestre Orwell, à minha estante. Depois das primeiras 35 páginas, já estava apaixonada pela escrita do autor, por sua sensibilidade àquele momento político e social do mundo; analisando a forma como os animais se perceberam vítimas de exploração e tomaram a Granja do Solar, transformando-a na Granja dos Bichos; como eles tentaram adquirir a linguagem verbal humana; como criam associações, faziam debates, elaboravam cursos e movimentos de leitura e escrita. Belo. Como levei tantos anos para reler a obra e ir até o fim, dessa vez? Este livro é apaixonante, sua inspiração brutal em Stalin e na ditadura da época; a revolução pretensamente igualitária, mas que no fim instaurou um novo poder totalitário; a manipulação, a mentira, as intrigas e traições, os privilégios nas patas de poucos, tornam a obra um marco histórico, além de literário. Obra-prima.
O que quer que ande sobre duas pernas é inimigo, o que quer que ande sobre quatro pernas ou tenha asas, é amigo. Lembrai-vos também de que, na luta contra o Homem não devemos ser como ele. (15)
A minha edição, da Companhia das Letras, é muito linda, e conta com os 10 capítulos do Conto de Fadas (como é referido na folha de rosto), mais o Posfácio, de Christopher Hitchens (2006) e Apêndices: um prefácio escrito pelo autor para a primeira edição, de 1945 ("A liberdade de imprensa") e o prefácio de Orwell à edição ucraniana, de 1947. O autor criticou de forma sutil, mas declarada a ditadura Stanilista na União Soviética, e ele tenta reproduzir de forma alegórica o que ocorreu com a tentativa de implantação do comunismo. Fartos de serem explorados por seus donos, os animais da Granja do Solar ouvem o discurso de um velho porco, o Major, e suas palavras encantam a todos: ele prega que não deve mais ocorrer a exploração dos bichos, sua comida deve ser abundante e todos os ideais devem manter-se igualitários. Tudo correu bem, até que, após conseguirem a revolução e banirem os homens da Granja, o porco Napoleão, que representa o líder/Stalin, dá um golpe e expulsa Bola-de-Neve (alegoria para Trotski).
Se recomendo? Apenas CLARO!!!!
As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já era impossível distinguir quem era homem, quem era porco. (112)
NOTA:
5/5

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