01 março 2017

[RESENHA] Divergente (Veronica Roth)



Numa Chicago futurista, a sociedade se divide em cinco facções – Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição – e não pertencer a nenhuma facção é como ser invisível. Beatrice cresceu na Abnegação, mas o teste de aptidão por que passam todos os jovens aos 16 anos, numa grande cerimônia de iniciação que determina a que grupo querem se unir para passar o resto de suas vidas, revela que ela é, na verdade, uma divergente, não respondendo às simulações conforme o previsto. A jovem deve então decidir entre ficar com sua família ou ser quem ela realmente é. E acaba fazendo uma escolha que surpreende a todos, inclusive a ela mesma, e que terá desdobramentos sobre sua vida, seu coração e até mesmo sobre a sociedade supostamente ideal em que vive. (ADICIONE O LIVRO AO SKOOB!)
ROTH, Veronica. DivergenteRio de Janeiro: Rocco Jovens Leitores, 2012, 502 p.

É por isso que amo o que faço! Quantas vezes podemos terminar um livro com aquela sensação de "OH, MY GOD! O que vai ser da minha vida sem essa história??? Quero mais! Muito mais!" Uma das melhores distopias do século XXI, sem favor algum. Apenas méritos a Veronica Roth. A história narra a vida transformada de pessoas que agora se dividem em 5 facções, segundo suas aptidões, em uma divisão bem estrita e que aloca pessoas juntas, ou permite que escolham uma outra facção, segundo seu desejo, em uma única oportunidade: a Cerimônia de Escolha. E os objetivos dessa divisão têm um pano de fundo muito obscuro. Digamos que não é apenas para organizar o mundo de forma mais justa e clara. Em se tratando de governos déspotas, nunca é.
O costumes das facções ditam até como devemos nos comportar nos momentos de inatividade e estão acima das preferências individuais. Duvido que todos da Erudição queiram estar sempre estudando, ou que todo membro da Franqueza aprecie um debate acalorado, mas, como eu, eles não podem desafiar as normas de suas facções. (15)
Não pertencer a uma facção está fora de cogitação. Não há honra nisto.
Beatrice Prior tem 16 anos agora, e é da Abnegação, como sua família. Mas está chegando o Teste de Aptidão, para ver se ela fica ou não para sempre com sua família, ou segue para outra facção. As 5 facções em que foi reconfigurado o mundo são: Abnegação - que valoriza o altruísmo e simplicidade; Franqueza - que preza pela honestidade; a Erudição - que prima pelo conhecimento; a Amizade, que valoriza a boa relação entre as pessoas; e a Audácia - que premia a bravura, a coragem, e produz os soldados que protegem a cidade. Mas, se houver algo fora do comum, desistência ou eliminação, ainda pode ser uma Sem-facção - uma das pessoas que não completaram o processo e vivem marginalizadas, fazendo os serviços que ninguém mais quer fazer. Beatrice caminha para a Cerimônia de Escolha; ela nunca escondeu o encanto que a Audácia lhe provoca, mas deixar sua facção/família traria muitas implicações. O que fazer?
De que serve um corpo preparado se você tem uma mente confusa? (150)
O livro tem um ritmo contagiante, alucinante, dinâmico e impossível de parar. Conta com uma protagonista de peso, que questiona o mundo e as propostas dos líderes. Ela tem Abnegação dentro de si, porém também traços de outras facções, e os seus testes de aptidão foram "inconclusivos", porque na verdade, ela não se encaixa em apenas uma facção: ela é Divergente. E isto, em uma sociedade acostumada com pessoas facilmente manipuláveis, é um grande risco. O que eu mais amo, nessa protagonista: ela não leva desaforo para a facção; se alguém bate, ela levanta e bate de volta. Não fica caída no chão, quando pode estar de pé, lutando até vencer ou chegar o mais longe que puder. E pessoas assim ME ENCANTAM!

Na nova facção, ela conhece Christina, Peter, Will, Al, Uriah e o famoso Quatro. Personagens de igual carisma, e que nos motivam na leitura. A atração entre Tris (novo nome de Beatrice) e Quatro é inevitável, e gostei de como esse relacionamento se desenvolveu lentamente, como quem não quer nada, e como a autora nos fez esperar por inúmeros capítulos antes de um pequeno gesto de afeto. E ao mesmo tempo foi muito inquietante: eu já não suportava mais!
Acredito nos atos simples de bravura, na coragem que leva uma pessoa a se levantar em defesa de outra. (219)
DIVERGENTE é uma distopia encantadora, de marca maior. Em sua leitura, pude perceber a discussão de valores importantes na sociedade: o poder das nossas escolhas; quanto estamos dispostos a sacrificar, em troca de um objetivo ou de um novo modo de vida; quem você é realmente: alguém facilmente manipulável, e que pensa o mundo por uma única esfera ou ponto de vista, ou é um questionador, que não pode ser controlado ou manipulado? Você tem apenas o Bem, ou o Mal, ou ambos dentro de si?
Os seres humanos, de uma maneira geral, não conseguem ser bons por muito tempo antes que o mal penetre novamente em nós e nos envenene. (454)
O livro tem todas as características de uma distopia típica do nosso século e vai te fazer perder o fôlego. Tenho orgulho de ter a trilogia na minha estante e já iniciarei a sequência! Gosto muito do modo como Veronica Roth construiu o desenrolar dos fatos, exceto por um único detalhe, perto do final. E acredito que o filme, se não foi 100% fiel, ainda pode ser considerado um excelente complemento à leitura. Gostaria que a revisão da tradução tivesse sido mais generosa, porque encontrei erros bobos durante a leitura, mas apenas isso. Não tenho falhas graves a apontar, por isso, dou nota máxima. Vale ser relido muitas vezes!

NOTA:
5/5

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