28 março 2017

[Resenha] A Rebelde do Deserto (Alwyn Hamilton)

O deserto de Miraji é governado por mortais, mas criaturas míticas rondam as áreas mais selvagens e remotas, e há boatos de que, em algum lugar, os djinnis ainda praticam magia. De toda maneira, para os humanos o deserto é um lugar impiedoso, principalmente se você é pobre, órfão ou mulher. Amani Al’Hiza é as três coisas. Apesar de ser uma atiradora talentosa, dona de uma mira perfeita, ela não consegue escapar da Vila da Poeira, uma cidadezinha isolada que lhe oferece como futuro um casamento forçado e a vida submissa que virá depois dele. Para Amani, ir embora dali é mais do que um desejo — é uma necessidade. Mas ela nunca imaginou que fugiria galopando num cavalo mágico com o exército do sultão na sua cola, nem que um forasteiro misterioso seria responsável por lhe revelar o deserto que ela achava que conhecia e uma força que ela nem imaginava possuir. (ADICIONE O LIVRO AO SKOOB)
Uma nova alvorada! Um novo deserto. (p. 23)
SEGURA, QUE É TIRO! (Pun intended)
Que livro é esse, minha gente? Eu estou tremendo nas bases até agora! Li em dois dias, e teria sido em um se não precisasse ter ido trabalhar, afinal, foi por isso que pude comprar, rs! O livro tem fôlego. Tem areia, mistério, ação. Um deserto extenso, uma BAITA protagonista que nunca foge da raia - pelo contrário, ela cria as raias e as domina. 

Uma atiradora que nunca erra. Um deserto que parece sem fim e uma sociedade injusta. Só duas coisas ali sobram: areia e armas. Um mundo em que as mulheres não são vistas como pessoas, mas como seres sem valor. 

Amani Al'Hiza vive no deserto de Miraji, um lugar com péssimas condições de vida, que faz parte do governo de um sultão cruel e muito perigoso. Ela sente conforto com uma arma na mão, pois é seu maior talento: a mira infalível. Só que o deserto e a cultura na qual ela foi criada não favorecem aqueles que são desfavorecidos economicamente, os órfãos e, principalmente, as mulheres. Amani é uma lutadora e não baixa a cabeça: uma vez sob a mira do próprio tio e de outros rapazes da região, para ser esposa de um deles, ela decide que aquele lugar não é para ela. A órfã, que viu a mãe ser enforcada por conta de um crime terrível, cria então a sua nova identidade: "O Bandido de Olhos Azuis", que vai participar de um torneio para conseguir dinheiro e fugir para sua querida cidade de Izman. E que olhos azuis! Eles se destacam e são sua marca registrada. 

Amani tem uma boca grande demais para seu próprio bem; e também algumas falhas de caráter, sim, mas como ainda tem apenas 16 anos e cresceu em um ambiente cercada de medo e desconfiança, está sempre fugindo, tem pouco apreço pela vida alheia, mas acaba desenvolvendo o senso de união e de entrega quando encontra as pessoas certas. Os membros da Rebelião, quando ela finalmente compreende que faz parte de algo muito maior do que ela mesma e suas dores. A evolução da personagem, seu amadurecimento, em um livro tão curto, é impressionante.
Era muito difícil confiar num garoto com um sorriso daqueles Um sorriso que me dava vontade de acompanhá-lo até os lugares sobre os quais havia me contado, mas ao mesmo tempo me deixava certa de que eu não devia fazer isso. (p.57)
No meio do torneio, do caminho, havia um forasteiro. Jin.... Aaaah, Jin! Aquele forasteiro que você quer ter por perto. Aquele carinha de fora, com quem você deseja conhecer o mundo inteiro, porque tudo nele respira aventura, mistério, desconhecido e coragem. E, além de tudo, um personagem charmoso, quando quer ser, bondoso, surpreendentemente forte e destemido e o encaixe perfeito para a personagem mais Impetuosa que você vai conhecer na vida. Ele e Amani se complementam, se completam de forma bela e sutil.
Mais do que desejo. Necessidade. (p. 104)
E assim, os dois embalam seus destinos em busca dos objetivos, sobrevivendo ora juntos, ora por si sós, buscando um porto seguro onde descansarem, o sossego e um governo justo para seu país e, posteriormente, ficarem em paz juntos.
Então seu corpo grudou no meu, me empurrando contra a parede do trem. Eu era uma garota do deserto. Achei que soubesse o que era calor. Estava enganada. (p. 104)
O Feminino é muito bem explorado na obra e gostei de como a autora contextualizou isso dentro de uma atmosfera árabe muçulmana, mesmo sem colocar os rótulos. Aquela é uma região em que  A mulher não pertence a si mesma, mas a um pai ou marido, ou mesmo ao sultão, por tabela. Os personagens secundários também foram construídos à altura da história e definitivamente, Shazad é a terceira Crush do meu Girl Power. Maravilhosa, filha de general e se comporta à altura. Uma lutadora, uma guerreira, e me representa! Em meio às revelações, às grandes reviravoltas antes do fim do livro, a tudo que se desenrolou em questão de capítulos, perdi o fôlego virando as páginas feito louca para chegar ao final.

A mitologia presente, o fantástico, o místico, perfaz um show à parte na obra: a questão foi muito bem trabalhada, as lendas são verossímeis, elas te fazem repensar a realidade do deserto e como tudo faz sentido, ali, e os Buraqis? O que posso dizer? Quero um para mim! A autora utilizou excelentes ganchos entre capítulos, o que provocava minha vontade de ler só mais um, e só mais dois, até que PUF! Acabei o livro.
RECOMENDO!

NOTA MÁXIMA!5/5

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