11 maio 2017

[Crônicas] Sobre a Inveja

O coração em paz dá vida ao corpo, mas a inveja apodrece os ossos. (Provérbios 14:30)

Coisa curiosa, a Inveja.

Para alguns, um dos sete pecados capitais.
Para outros, um sentimento desprezível e egoísta.
Para outros... Uma extrema necessidade da alma. Uma nociva necessidade.

Você reconhece uma pessoa invejosa quando ela diz admirar e amar tudo que você faz, mas no fundo, o sentimento verdadeiro dela não é amor ou admiração, é pura e nada inocente inveja. Ela deseja ser como você; perscruta sua vida, suas roupas, seu modo de ser, suas decisões, e quer fazer tudo inspirado no que você faz, porque ela já se habituou tanto a querer ser como você, que se esqueceu de ser apenas como Ela Mesma. 

Essa pessoa viverá triste, por que, apesar de poder e dever ser apenas e constantemente uma versão melhorada de si mesma, ela buscará ser apenas como Outra. E o mais triste, mesmo, é que você percebe, na pessoa invejosa, alguém que poderia ser muito, muito mais do que você, mas ela está presa ao chão, a um sentimento infantil e regressivo, do qual não consegue se livrar. Porque se habituou a Inspirar-se, e não a Inspirar. Ela sequer vê as próprias vitórias, porque persegue apenas as suas, e as mantém em seu foco.

Se procurar no dicionário, mesmo o virtual, encontrará a seguinte definição:


É, no mínimo, curioso perceber que o Invejoso / a Invejosa não se sente feliz pela felicidade alheia. Pelo contrário, a pessoa é constantemente alimentada por um sentimento egoísta e mesquinho de, não apenas admirar e espelhar-se na Pessoa que apenas ela considera superior: é uma necessidade de ver tudo aquilo que a Outra construiu ruir. 

A pessoa que  sente a referida Inveja não consegue se satisfazer enquanto não transforma sua vida em uma versão da Outra. Porque acredita, erroneamente, que, apesar de tudo que torna sua vida singular e bela, é apenas Aquela Outra vida que faz sentido para tudo que o Invejoso / a Invejosa sente, faz ou diz. 

Em dados momentos, a pessoa não consegue se segurar. O sufocamento provocado pelo sentimento repulsivo da inveja e pela incapacidade da assimilação é tão forte que a pessoa Invejosa tem uma súbita necessidade de se afastar; e o faz, mas sempre mantém um olho no alvo de seus objetivos, no objeto de seu sentimento mais mesquinho.

Não alimente esse sentimento por ninguém, pois ele não é bom.
Tudo que você é, o que você tem, o que você diz e faz são únicos. Tudo que te cerca e te singulariza como a pessoa que é, está presente em sua vida porque é de seu merecimento: as coisas boas e as más.

Observar a trajetória de sucesso de alguém e almejar ser tão bem-sucedido (a) quanto Outros é normal, mas desejar ardentemente obter tudo aquilo que a Outra Pessoa tem, nem que tenha de tirar aquilo à força dela, isso já é caso para terapia. 

Você não precisa ser igual a Outra Pessoa para ser feliz. Você tem que abrir mão, let go, deixar isso ir e admirar-se constantemente no espelho todos os dias: melhorar, crescer em si, espelhar-se em Deus e no Amor Verdadeiro, que não é invejoso.

Você pode e deve, diariamente, constantemente, ser apenas uma versão melhorada de si mesmo (a), e isso deve bastar. Acredite: isso vai bastar.

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