18 agosto 2017

[CRÔNICAS] DEPOIS DA TORMENTA

At a certain moment, you don't wanna party, get crazy, nothing of the sort. You just wanna settle down and be happy with the ones you love.


Depois de quase 4 anos de relacionamento, meu noivo e eu acabamos nos afastando, por razões que não convém contar aqui, mas são muito comuns. Foram muitos planos e sonhos que bolei, depois de uma longa fase da minha vida em que pensei não precisar de nada disso! Foi bom sonhar por um tempo, mesmo que eu tenha sonhado demais...

Desde que assumi estar solteira de novo, meus amigos têm sido solidários, e também pessoas de fora do meu círculo de amizades, porque eu sempre acabo fazendo parte da vida das pessoas, por um motivo e outro, e dentre as grandes razões estão os livros e a minha orientação espiritual. Tenho recebido muitas dicas sobre o "Aproveitar o momento, a vida de solteira, que não vai durar muito, porque, segundo eles, 'o próximo virá para ficar'!". Rs. Okay!

Li textos incríveis, inspiradores. Uns de Osho, outros de autores locais. Mas após a leitura de todos eles sempre fico com a mesma impressão: As pessoas cultuam muito, hoje em dia, o popular "Estar só". Postam muitas fotos sorrindo, dizendo que estão amando serem solteiros, porque não precisam dar satisfações a ninguém, podem chegar em casa tarde, usar a roupa que quiserem, ficar com quem quiserem, sem compromisso. Sou quadrada e antiquada mesmo, porque ESSE ideal de felicidade nunca foi o meu.

Quantos dos rostos sorridentes em fotos, com hashtags que exaltam a "Vida Livre" não ocorrem logo antes ou logo depois de lágrimas quentes serem vertidas pelo seu rosto, por um amor perdido ou nunca realizado? E não falo dos populares "crushes", mas daquele algo profundo que você busca(va) em alguém, mas a vida insiste em adiar. O guarda-chuva amarelo, o famoso lebenslangerschickschatz.

Desconfio que muitos, assim que postam para as câmeras de Face, Snap, Insta, Twitter e das lives do mundo o quanto estão "felizes", retornam àquele estado inicial de se perguntarem quando vão dividir uma foto com alguém que merece estar ali.

Imagino que as pessoas gostem de gozar de certa liberdade, mas lá no fim da jornada, ninguém quer dizer "Adeus" para as paredes e o teto, quando estiver deixando este mundo, não é? Não. No fim da vida, você quer olhar nos olhos dos seus filhos, biológicos ou do coração, e das pessoas que ama, quer saber que seu legado será perpetuado, quer deixar algo de valor pra alguém, quer saber que esteve aqui no mundo por um motivo. Todos querem isso. Afinal, porque lutamos tanto, diariamente?

Para que ergueríamos Impérios e teríamos grandes bens materiais, se não tivéssemos com quem dividir? Ninguém a quem legar nada, seja uma herança material ou cultural? Não, bros and sisters. Se não está lutando para fazer desse mundo e do seu pequeno universo um lugar melhor para quem virá "depois de nós", responda para si mesmo: "Estou lutando para quê? Por quê? Só para não ficar parado (a) e definhar antes da hora?". Aqui estão excluídas as pessoas que preferem ficar sozinhas porque realmente gostam de estar sozinhas; existem, respeito-as e entendo sua posição. E elas nunca precisam falar o quanto "É bom estar só", pois a elas basta essa vivência, e isso já é o suficiente, sem exposição excessiva nas redes sociais.

Chega um ponto na vida em que você já curtiu demais; você já não quer ir pra farra, fazer loucuras, nada desse tipo. Você só quer se aquietar e ser feliz com aqueles que ama, porque você tem consciência da finitude e da brevidade da vida, e de como ela pode escorrer pelos dedos quando menos se espera.

Você está lutando por quem?
E, no futuro, quando seus filhos te olharem nos olhos, esperando que você conte as maravilhosas histórias de sua juventude e tudo que motivou cada uma delas, como tudo levou ao mundo que queria deixar pra eles, que tipo de narrativa poderá relatar?
Pense em você, sim.
Pense diariamente e com carinho.
Mas depois que toda essa tormenta acabar...
Lembre-se de para quem você quer deixar o seu legado.

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