21 outubro 2017

[RESENHA] Sangue Traído (Neyvile Lucas) - Trilogia Potestates Vol. 1

Jason era um garoto normal, com amigos normais e uma vida normal... até que tudo mudou. A partir de um pequeno incidente na biblioteca da Diretora de sua escola, coisas estranhas começam a acontecer ao redor dele e COM ELE. Prestes a enlouquecer com suas perguntas e seu medo, Jason se vê perdido no misterioso caos em que se transformou a sua vida. Ele está se transformando. Uma missão lhe é incumbida. Meses de treinamento e desespero o levam ao dia mais importante e assustador que já viveu, quando uma das maiores tragédias da sua vida acontece e toda a verdade que lhe foi escondida vem à tona. (Skoob)

É sempre um deleite ler uma obra de Lucas porque a narrativa dele nos prende do início ao fim: é contagiante, jovial, fala a língua do jovem. De Mar Noturno a Sangue Traído, houve um crescimento notável na escrita, um visível amadurecimento dele como autor. E a criatividade dele só se amplia!

O livro começa com a primeira aventura (desventura?) de seu protagonista, que é responsável pela seção de entrevistas do jornal escolar. Ele teria de fazer algumas perguntas a Molly Philips, que é "a diretora que qualquer escola gostaria de ter".
Seus cabelos loiros desciam em largos cachos pelas costas, enquanto seus olhos cor de mel, bem abaixo e uma estranha cicatriz em forma de C na testa, demonstravam seu brilho [...] (pos. 6)
A diretora, um tipo de sonho juvenil, o crush dos novinhos, oferece a Jason uma visita a sua biblioteca, e ele aproveitou uma distração da diretora com o telefone para fazer o que qualquer leitor normal faria na mesma situação. O que nós, grandes viciados em leitura, fazemos, ao nos depararmos com uma biblioteca rica, cheia de livros? FUÇAR! Obviamente, apenas a atitude mais lógica. Porém, essa pequena aventura de Jason tem uma consequência: ele mexeu no que estava e (tecnicamente) deveria permanecer quieto.

O livro que o atraiu não era uma obra empoeirada comum, numa prateleira qualquer da vida. Para começar, na capa estava a foto mais linda da lua cheia que ele já vira. Dentro, avançando em sua curiosidade adolescente, ele se deparou com um trecho cujas letras estavam embaralhadas; algo ali não fez sentido algum, mas a partir do momento em que leu aquelas linhas, tudo que ele conhecia de realidade foi colocado abaixo. O véu da realidade foi levantado e ele percebeu que nem tudo tinha apenas uma perspectiva.

A partir daquele momento, junto aos amigos Zac e Nick, ele entra em uma jornada de autodescoberta, muitas revelações sobre as criaturas humanas e... não tão humanas, e se redescobre como pessoa e como um ser... diferente! Já no início do livro, temos acesso à linguagem a la Rick Riordan, viciante, que te agarra e te faz avançar rapidamente na leitura. Você precisa separar um tempo para lê-lo, porque não consegue parar. Ou melhor, até pode conseguir, mas vai dormir pensando na história e acordar querendo continuar a leitura imediatamente. Você faz planos de ler 2 capítulos e termina lendo 10.

Ele flerta com o Fantástico durante boa parte do livro, mantendo-nos no nível da ambiguidade, da dúvida, sem dar uma explicação natural ou sobrenatural de imediato. E muitos elementos contribuem para isso: o sono, as pancadas na cabeça e a incerteza entre realidade e sonho, as imagens vistas através da água turva, ou mesmo olhos que pareciam mudar de cor.
O sono  o estava possuindo; podia jurar que ouvira passos atrás dele, mas, quando olhou, não havia ninguém. (pos. 89)
Lucas é bastante didático na escrita, demonstra uma preocupação em ter certeza de que as sensações diferenciadas dos personagens estão sendo compreendidas. E isso é uma ilustração do aspecto metaficcional da obra. Percebemos também os traços de oralidade na escrita do autor, um toque de mitologia grega muito forte; a influência da língua inglesa nos nomes dos personagens e alguns empréstimos linguísticos; e a beleza e naturalidade com que ele constrói uma aura de mistério, suspense com primor nas entrelinhas.

Um dos aspectos que mais me encanta em sagas é o processo de construção e a evolução dos personagens, e Jason é um protagonista forte. Lucas sabe construir esse tipo de personagem. Jason não é passivo: tem determinação para fazer as coisas acontecerem após uma crise, possui um raciocínio rápido, seja pela necessidade ou dele mesmo - muito embora ele tenha a pior sorte que já vi num personagem juvenil (e isso inclui os semideuses de Rick Riordan). Eu mudei de opinião sobre alguns personagens, no decorrer da leitura, mas me apaixonei por todos!

Encontramos referências a C. S. Lewis, Guy de Maupassant, John Steinbeck (porcos alados), à série H2O, a Rick Riordan (com aquela instigante provocação de autor), C. C. Hunter (Acampamento Shadow Falls) e até J. K. Rowling (Harry Potter), em determinados momentos. Inspiração positiva e construtiva, de um leitor que se consagrou escritor. Em Sangue Traído, você saboreia suspense, problemas de família, morte e vida, o fantástico encontro entre os mundos natural e sobrenatural e uma nova mitologia, para te fazer pensar e querer mais e mais. E é apenas o primeiro livro. Logo, logo, teremos mais!

RECOMENDADO!
\\o Boa Leitura! o//
NOTA:
5/5

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