22 março 2020

[22.03] Quarentena, dia 5: 7 Distopias para 7 Dias

A preciosa dica de hoje, gente, vem da Companhia das Letras! A editora nos enviou 7 sugestões de leituras distópicas para que possamos refletir sobre o mundo à nossa volta, nosso tempo, as consequências de nossas escolhas.

Como devem saber pelo meu perfil, sou Mestra em Letras/Literatura e atualmente, Doutoranda também em Letras/Literatura, pela UFPB. Analiso e publico artigos sobre distopias na Pós-graduação há 3 anos e convivo com elas há quase 10, na Academia. Ao estudar os conceitos de teóricos como Tom Moylan, Rafaella Baccolinni e Gregory Clayes, hoje me considero uma autoridade em formação sobre o gênero - sim, eu classifico a Distopia academicamente como gênero literário. Fiquei feliz por receber esta dica preciosa da Companhia das Letras.
Muitos estudiosos tentam entender o fenômeno do crescimento das narrativas distópicas na segunda metade do século XX. Um deles, Frank Kermode, sugere que o declínio da crença em explicações religiosas para o mundo pode ter sido um fator determinante. Contudo, agora no século XXI, como as distopias continuam relevantes? Ler sobre o pior cenário imaginado pelos autores é uma boa saída para tempos de crise? Por mais que as distopias não ofereçam respostas para o momento atual, ao nos conceder um arcabouço imagético para pensar futuros terríveis, elas constroem um léxico possível para se trabalhar os problemas contemporâneos. Com isso em mente, indicamos aqui alguns livros que podem ajudar na construção do nosso vocabulário temático de crise e a repensar nossa realidade. (Companhia das Letras)
Abaixo, vocês vão encontrar obras que talvez sequer sonhassem que são distópicas, mas eis a verdade!

SETE DISTOPIAS INDICADAS
Viagens de Gulliver
Viagens de Gulliver, Jonathan Swift (1726)Quem lê este livro de primeira viagem, pensando apenas nos desenhos juvenis e infantis adaptados, ou até no filme hilariamente ridículo com Jack Black, fica de cara no chão ao r que está lendo um dos textos mais amargos do cânone ocidental. Porém, o que mais fascina a nós, como leitorxs, é o crítico olhar que Swift lança sobre a humanidade, suas instituições, seu forte apego ao poder e ao dinheiro, e sua insistência em prolongar a vida (ainda que ela só traga dor). #FicaADica
A máquina do tempo
A Máquina do Tempo, H. G. Wells (1895)
O cientista conhecido apenas como "Viajante no tempo" (Time traveler) constrói uma máquina capaz de levá-lo a qualquer ponto do tempo. Ele chega ao ano de 80.2701. Quando esperava descobrir todos os progressos que a humanidade, a Medicina e a ciência teriam gerado, então, ele se decepciona ao deparar-se com uma Terra quase totalmente destruída, com duas raças remanescentes (Elois e Morlocks) e encara as consequências da ambição humana que, sempre, só pensou em sucesso, riqueza e dinheiro. Esta foi a obra base da minha Dissertação de Mestrado. Confira minha análise e porque a classifico como obra híbrida (não puramente distópica) AQUI.
O processo
O processo, Franz Kafka (1925, publicado postumamente)
Nesta obra, conhecemos Josef K., um homem que é retirado de sua casa de repente por agentes do governo que o acusam de um crime e o levam a julgamento. Porém, ele não sabe quem o está acusando, do que afinal ele é acusado e qual lei dá suporte a tal acusação. Nada  faz sentido em toda aquela situação, pois o processo de que é vítima segue uma lei muito específica: a lei do arbítrio. Eu nunca havia encarado O PROCESSO como uma obra distópica, mas uma releitura será o bastante para confirmar.
1984
1984, George Orwell (1949)
Possivelmente a Distopia mais importante e famosa da história da Literatura, 1984 é atemporal. O romance narra a vida de Winston Smith, funcionário do Estado totalitário comandado pelo Grande Irmão. O homem começa a a questionar e combater aquele regime exclusivista, que um dia ele defendeu... E que nada perde para ninguém. Confesso que eu já deveria ter lido 1984 e cá estou, com a cara no chão e morta de vergonha por ter de admitir isto.
Não me abandone jamais
Não me abandone jamais, Kazuo Ishiguro (2005)
"Embora à primeira vista pareça pertencer ao terreno da ficção científica, o livro de Ishiguro lança mão de personagens muito parecidos conosco para falar da existência humana. Pela voz ingênua e contida da narradora, somos conduzidos até o terreno pantanoso da solidão e da desilusão onde, vez por outra, nos sentimos prestes a atolar." (Companhia das Letras). Sem comentários, desconheço a obra, mas gostei da dica.
A estrada
A estrada, Cormac McCarthy (2006)
"Em um mundo completamente devastado, um pai e um filho vagam por cidades transformadas em ruínas e pó. Todos os pertences do dueto cabem em um carrinho de compras: cobertores puídos, alguns mantimentos, um revólver com poucas balas. Juntos, eles tentam escapar do frio e da fome, sem saber o que encontrarão no final da jornada. Um comovente relato sobre amadurecimento, A estrada é um dos livros mais conhecidos de Cormac McCarthy" (Companhia das Letras). Ainda desconhecia, mas posso dar uma chance. Eu sou barata de distopias.
O reino do amanhã
O reino do amanhã, J. G. Ballard (2006)
"Considerado por Susan Sontag um dos escritores mais importantes da atualidade, J. G. Ballard traz neste romance temas que se tem discutido muito neste século: consumismo e fascismo. Publicado pela primeira vez na Inglaterra, em 2006, o livro conta a história de Richard Pearson, um publicitário desempregado que decide investigar a morte do pai, baleado em um shopping center de uma cidade que ele não conhece, em meio a pessoas que ele não conhece. Sem perceber, Richard se vê preso em uma grande teia de consumismo, xenofobia e fascismo, em que a aranha é a própria população local." (Companhia das Letras) Gostei da sinopse e da capa. E, se ninguém menos que SUSAN SONTAG, Rainha, Diva e Plena, recomenda, quem sou eu para dizer "Não"?
Já conhecia estas obras?

RESUMO DA PRIMEIRA SEMANA DE QUARENTENA

  • Zero sintomas de coronavírus até agora
  • Fiz compras para uns 10 dias
  • Já corrigi 58 redações, desde quarta-feira, dia 18/3
  • Limpei minha estante e seus 360 livros, separei os que vou sortear ou vender;
  • Higienizei o sofá, a mesa e a cadeiras da sala de jantar.
  • Coloquei as roupas para lavar em: XX rodadas.
  • Lavei os panos de chão
FONTES:
Companhia das Letras
 PPGL UFPB

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