01 abril 2020

[01.04.20] Quarentena, dia 15: Resenha Anne de Windy Poplars

SINOPSE DO SKOOB: Anne Shirley está de volta com suas “Annices” em uma nova aventura! (...) Os empolgantes anos de universitária em Redmond College ficaram para trás e Anne agora está diante de uma nova aventura. Ela e Gilbert finalmente estão noivos, mas Gilbert ainda tem três anos de estudos pela frente, até terminar a Faculdade de Medicina. Enquanto isso, Anne aceita o cargo de diretora da Escola de Ensino Médio de Summerside, onde também leciona. E, nessa nova cidade, Anne se depara com vários desafios, como a pomposa família Pringle e uma colega de trabalho muito inconveniente, chamada Katherine Brooke. Atenção! Pode haver spoilers, se não leu os livros anteriores da série!
Você sabe que as aventuras sempre vêm até mim, sem que eu as busque. Parece que eu simplesmente as atraio de alguma maneira (p. 6)
Neste livro, cujo recorte temporal é um espaço de três anos, o tempo que Anne foi passar em Summerside, encontramos nossa órfã favorita da Literatura Canadense mais adulta e madura, finalmente noiva de Gilbert. Agora que não precisa ficar tomando conta de Marilla, ela voltou à cidade grande para o que eu esperava que fosse uma espécie de Pós-graduação, porém ela assumiu a Direção de uma escola e ainda me questiono o porquê. Desta vez, Anne está hospedada em uma pensão chamada de Windy Poplars, em Spook's Lane, Summerside (que é uma cidade real e hoje é a segunda mais populosa da Ilha do Príncipe Eduardo, onde se passa nossa narrativa). Lá, ela encontra seus novos antagonistas, os numerosos membros da família Pringle, que fazem da vida dela um inferno até que... bem, vamos apenas dizer que o jogo virou!
Ninguém jamais é muito velho para sonhar. E os sonhos nunca envelhecem (p. 84)
Anne não mudou sua essência, só que, em vez de menina, agora é uma mulher. A autora volta a debater, ainda que de forma superficial, a necessidade do Sonhar, do Amor e da Compaixão, e, por outro lado, os preconceitos, diferenças socioeconômicas, a falta de noção dos terraplanistas. Ela adotou um estilo parcialmente epistolar, de cartas escritas por Anne para Gilbert. Gosto de narrativas epistolares, porém a forma como Lucy conduziu Anne (4) me deixou chateada porque ela excluiu, silenciou a voz de Gilbert em todo o livro. Nas raras ocasiões em que ele aparece, não o vemos participar das conversas, ele entra mudo e sai calado. Ele é um personagem que amo, o casal é um dos meus favoritos da literatura, e vê-lo distante, sem uma participação ativa na vida de Anne por 3 anos, foi muito chato de aceitar. Ainda estou fula!
Sally diz que eles irão brigar durante quase todo o tempo, mas que serão mais felizes brigando um com o outro do que concordando com qualquer outra pessoa" (p. 111) 
É um livro que fala muito do casamento, e Anne participa de milhares deles. Talvez a desordem na obra reflita como estava a cabeça de Anne, ansiosa por seu enlace com Gilbert e sem conseguir planejar nada de concreto. Possivelmente, este é o livro em que eu mais tenha me aborrecido por dois fatores: um deles é o silenciamento de Gilbert, do começo ao fim; outro é o excesso de personagens rasos, que pouco acrescentam à história e apenas preenchem lacunas de atividades que Anne precisava realizar na história, sem que tivessem uma maior amplitude. Alguns deles mereciam essa profundidade, como a pequena Elizabeth, a hilária e dramática Mrs. Gibson e sua filha terrivelmente apegada, Pauline, além de Teddy Armstrong, o "Companheirinho" e Nora, com seu amor impossível pelo vizinho da frente! A impressão que temos é de que estamos navegando em uma máquina do tempo de forma agitada, vendo trocentos fatos que nunca se aprofundam. Parecia que eu estava lendo O Silmarillion ou As Crônicas de Gelo e Fogo, fazendo anotações dos nomes dos personagens e da primeira página onde apareceram, para não me perder.

Alguns pontos da tradução me deixaram de cabelo em pé, como a opção por "colocar fogo na fogueira" em vez de lenha... Outros, me fizeram rir muito, como as amarguras da Mrs. Gibson; as tragédias da casa dos Tomgallon; e Katherine proclamando que TUDO na vida de Anne Shirley foi fácil e suave, rs. A amizade entre Anne e Diana não é mais a mesma, porque elas têm interesses diferentes, agora, e você fica triste, quando lembra de todos os queridos que Anne já perdeu - porque os que ainda estão vivos estão tão distantes Mas acredito que assim é a vida, não é? Este é um livro que recomendo para que termine de ler a série de Anne de Green Gables, mas ele deixou de ser meu favorito ainda na metade da leitura.
Nota: 4,0/5,0 
SKOOB DO LIVRO
ISBN-13: 9788566549157
ISBN-10: 8566549155
Ano: 2019
Páginas: 230
Idioma: português
Editora: Pedrazul Editora

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