11 abril 2020

[11.04.20] Quarentena, dia 25: Resenha de Corte de Espinhos e Rosas (Sarah J. Maas)

SINOPSE SKOOB: Depois de anos sendo escravizados pelos feéricos, os humanos enfim se rebelaram; mas a liberdade tem seu preço e, em meio a batalhas épicas, um Tratado é forjado para selar a paz e determinar os espólios de guerra. Uma muralha mágica então separa as espécies. Do lado feérico, mistério; do humano, apenas medo, desconfiança e dificuldade. Num mundo sem futuro ou esperança, Feyre, filha caçula de um mercador humano falido, se torna caçadora para sustentar a família. Dura como as flechas que carrega, letal como sua pontaria, ela abandona as fantasias de garota pela árdua vida nas florestas ao redor de sua aldeia. Sua única alegria é observar as cores e sonhar em capturá-las. Mas, na floresta coberta de neve, tudo é branco e árido; como o ódio pelos feéricos que carrega no coração; como as telas que não pode comprar ou colorir. Até que um enorme lobo cruza seu caminho... Sem hesitar, Feyre dispara... uma flecha. Um ato de rebelião. Após matar o lobo, uma criatura bestial surge, exigindo uma reparação. Arrastada para além do muro, para uma terra mágica e traiçoeira - que ela só conhecia por meio de lendas -, a jovem descobre que seu captor não é um animal, mas Tamlin, Grão-Senhor da Corte Primaveril. Um feérico com um segredo, escondido sob uma máscara. À medida que ela aprende mais sobre este mundo onde a magia impera, seus sentimentos por Tamlin passam da mais pura hostilidade a uma paixão avassaladora. Enquanto isso, uma sinistra e antiga sombra avança sobre o mundo das fadas, e Feyre deve provar seu amor para detê-la... ou Tamlin e seu povo estarão condenados. Ficção americana. Literatura fantástica. Fantasia. Distopia. 
Amor não alimenta barriga vazia. (Feyre, p. 27)
Corte de Espinhos e Rosas é o primeiro livro de uma trilogia de fantasia com traços distópicos, previamente apresentada aqui no blog NESTE POST. Prythian é uma terra dividida por uma grande muralha: de um lado, para os simples Mortais; do outro, para os Feéricos, seres com grande poder sobre a Natureza. São sete cortes feéricas, cada qual regida por seu Grão-Senhor (sim, um tanto machista, especialmente quando avançamos na história, espero que isto mude na trilogia). Aqui, conhecemos uma sociedade politeísta, em que parte das pessoas sofre por profundas desigualdades econômicas e sociais, e há uma severa hierarquia entre as classes. Particularmente, por parte dos feéricos, que abusam de seu poder como bem entendem.
 
Neste universo diegético, temos a protagonista Feyre, caçula de três filhas de um mercador falido, que precisa caçar para prover o sustento da família (sim, existem referências a Jogos Vorazes). Em uma dessas caçadas, porém, Feyre acabou assassinando uma criatura que não era um lobo comum, mas, ela descobriria logo depois e da pior forma, era um feérico. Ou seja, ela acabara de "comprar briga com cachorro grande". Uma vez sendo cobrada da dívida que adquiriu, Feyre é forçada a abandonar sua casa e sua família para viver nas terras feéricas de Prythian, onde ela passa por experiências muito diferentes de todas que esperava e ainda conhece muito mais sobre as grandes guerras e acordos antigos que tornaram seu mundo o que ele é hoje.
Precisamos de esperança, tanto quanto precisamos de pão e carne (...) ou não sobreviveremos. (pai de Feyre, p. 27)
Um dos meus personagens favoritos é Rhysand e digo apenas que o livro melhorou em 75% a partir do momento em que ele entra na história. Fascinante. Outro personagem que amo é o Lucien Vanserra, um nobre que nunca fez questão de nobreza e, por questões muito cruéis que não vou contar aqui (vão ter de ler), viu-se forçado a também deixar seu lar e acabou se tornando emissário da Corte Primaveril, sob o comando do Grão-Senhor Tamlin. Espero que ele ganhe mais espaço nos próximos livros, pois é um personagem excelente. Até o momento, Tamlin é um dos meus personagens favoritos: Grão-Senhor da Corte Primaveril, ele é cuidadoso, forte, apaixonado e se torna rapidamente o interesse romântico de Feyre. 
 
Ah, Feyre... Eu li o livro tentando odiá-la com todas as minhas forças... Mas não consegui. A menina é atrevida, é vida louca, fala o que pensa sem medo de morrer. Protege a família e a quem ama com a própria vida e, a propósito, não sente um pingo de dúvida ao dar sua vida por seus queridos. É corajosa, nem sempre pensa no que fala e, uma vez que ela entra no seu coração, com a coragem que beira a loucura, você vai se pegar berrando para ela algumas vezes "Cê tá louca, mana! Quer morrer?? Cala a boca!". Ah, Feyre... Mas assim como tantas outras minas vida-louca antes dela, ela vai fazer o que acha certo e ninguém a segura no lugar em que ela não quer ficar. E o romance, bem, quando ele se inicia é muito vigoroso e tem cenas +18, não recomendo para crianças.
Amo você - sussurrou ele, e beijou minha testa - Com espinhos e tudo. (p. 258)
Gosto que o livro mencione a monstruosidade humana, violência doméstica, as diferenças sociais, mas cada um desses pontos podia ter sido melhor trabalhado, em lugar de outros, que ocuparam espaço demais - como o tempo que Feyre passa na Corte Primaveril. O livro tem mais referências (inclusive Cristãs - como o Setenta Vezes Sete e a Ressurreição) do que poderia e deveria abarcar, e deixou de caprichar em um aprofundamento do material que já tinha - o que foi um problema que também encontrei em Anne de Windy Poplars (RESENHA AQUI). Passei a gostar do livro da metade para o final, mas sigo recomendando, para quem tem mais de 18 anos!
NOTA: 4,0/5,0
ISBN-13: 9788501105875
ISBN-10: 8501105872 
Ano: 2016 
Páginas: 434 
Idioma: português 
Editora: Galera Record

Comentários via Facebook

1 Comentários:

  1. Oi!

    Que blog lindo você tem! Amei a resenha. Sempre que vejo essa capa fico na vontade de começar a ler, mas falta tempo. A sua resenha esclareceu bastante coisa. Já estou me inscrevendo no seu blog!

    Até!
    https://nsmoraes.com.br/

    ResponderExcluir

Obrigada pela presença e participação! ATENÇÃO: Todos os comentários são moderados. Aqueles considerados inapropriados à nossa política serão automaticamente excluídos. Comentários anônimos não serão aceitos.