17 abril 2020

[17.04.20] Quarentena, dia 31: Como me tornei Blogueira literária

Enfim, Licenciada em Letras!! (2012-2016)
Once upon a time, Português foi a minha disciplina favorita na escola. Por quê? Porque eu amava ler, e era a única na minha casa que gostava - e ainda gosta - desse hábito. Hoje, a Língua Portuguesa é meu ganha-pão, mas quer saber a verdade? Sonhei em ser médica pediatra, astronauta, bailarina, mil coisa. Jamais, nem nos meus devaneios mais loucos, eu sonhei que me tornaria Professora de Português e Literatura. Muito menos que iria gostar disso.

Eu colocava os meus professores e professoras no mais alto pedestal: nem humanos eram, aos meus olhos, mas divindades etéreas, detentoras de todo saber e conhecimento... Eram aqueles seres humanos espetaculares e fabulosos, capazes de sanar todas as dúvidas que eu tivesse, e que meu pai e minha mãe não sabiam responder. Eu acreditava que eles e elas eram tão sábios (as) quando o próprio Deus. Claramente, a ideia de me tornar professora era absurda: eu jamais chegaria a esse nível de Erudição. Mal sabia eu que a visão de Professores havia sido moldada de uma forma bastante inadequada. Anos depois, graças ao bom Deus, Paulo Freire nos explicou que a banda não tocava bem assim.  Leiam A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO. Sério, só leiam.

Mas as coisas não começaram a mudar quando decidi me tornar professora. Eu decidi me tornar professora quando as coisas começaram a se modificar. Entre 2010 e 2012 eu passei por uma fase tão punk, tão complicada na minha vida, quando perdi meu emprego, um dos meus amigos foi assassinado a sangue frio quando estava de serviço e, de quebra, fui assaltada na rua de casa, em Campina Grande, que até hoje me pergunto quando realmente eu saí daquele buraco cinzento conhecido como Depressão. No ex-emprego, houve muitos problemas, deparei-me com coisas que eu jamais esperaria na carreira e acabei conhecendo a Grande Tristeza (leiam A CABANA. Sério. Só leiam) e ela era persistente como o quê. Quem me salvou foram os meus livros. E a Educação.

Esse período em que voltei para a casa dos meus pais foi uma fase complicada, mas de muito crescimento. E foi, sem dúvidas, uma experiência que me transformou. Eu era uma Thaíse até aquele momento da minha vida e passei a ser outra logo depois,  com aquele gap no meio. Mas aqueles quase dois anos, entre maio de 2010 e dezembro de 2011, eu meio que sofri um apagamento total. Eu não era ninguém naquele momento do tempo: não era mais a menina que tinha sido até então, e também não era uma nova pessoa, uma mulher ainda, algo em que só penso agora. Mas eu precisava tomar um rumo, até porque voltar para casa de mãos abanando foi mais traumático do que eu esperava.

Meus pais insistiam que eu devia trabalhar, e eu sabia que sim, até fui deixando currículos em vários lugares. A economia no país estava muito superior aos anos do PSDB. Recebi 4 propostas de emprego e tive o direito de escolher a melhor e rejeitar três. Coisas que só o Brasil de Lula faz por você. Enfim, apesar disso, não parei de pesquisar uma nova carreira, porque a forma como a "chefe" me fez sair do departamento de trabalho foi humilhante e traumático. Comecei a pesquisar na internet por cursos novos, fiz testes vocacionais porque estava completamente perdida na vida. Cheguei a pensar em cursar Oceanologia na FURG, pesquisei onde morar, datas e valores de passagens e aluguel... Tudo que queria era recomeçar em um lugar totalmente diferente. Estudei para o vestibular local. Mas isso nunca se concretizou. Até hoje, eu sinto um chamado para Rio Grande. Não sei o que aquela cidade tem, mas eu sinto fortemente um chamado até lá. Quem sabe, um dia?

Em uma dessas pesquisas por uma nova carreira, acabei encontrando um blog literário, que não lembro mais de quem era: era de uma das primeiras meninas que bombaram nesse âmbito. Creio que a Garota It, Pam Gonçalves. Li o que ela escreveu e pensei "Eu posso fazer isso!". Então fundei meu primeiro blog, que se chamava CANTO E CONTO - fui aprender a mexer em blogs, postar textos, fazer divulgações. E ainda há gente das antigas aqui que me segue e se lembra, como o Sandro Honorato.

Comecei a ler os poucos livros que tinha em casa - Os Lusíadas, de Camões; Moby Dick, de Melville e outros, e a ensaiar as minhas primeiras resenhas. Só que havia um porém: eu tinha mania de dar muitos spoilers aos leitores e leitoras!! Passei a sondar mais, estudei outros sites, resenhas, li textos nas páginas de editoras, e fui melhorando meus textos. Nesse tempo, descobri o Skoob, que tinha acabado de ser fundado - Sim, Brasil, estou lá desde o começo! E aquela ideia de uma rede social voltada a leitores e leitoras era tão genial, que passei a incorporar a tudo que eu fazia. Comecei a publicar as resenhas também lá, fiz grupo de Fórum do Blog, o escambau.

Em um determinado dia, recebi um e-mail, pelo canal que havia disponibilizado no blog, até que um membro da Novo Conceito me procurou para fazer resenhas de livros deles. Fiquei com uma única pulgazinha minúscula atrás da orelha esquerda, mas não sei se já encararam uma pessoa que está na transição entre a depressão e sua normalidade de novo... Eu estava naquele estágio em que a mínima notícia boa me fazia ter explosões de felicidade. Topei de imediato e comecei os trabalhos. Posteriormente, também me tornei parceira da Editora Arqueiro. Algumas outras meninas também já estavam sendo chamadas. E assim, comecei o processo. Fiquei feliz e pensando: "Será isso que eu farei pro resto da vida?"

No lançamento de Sangue Traído (Outubro/2017)
Autores e autoras começaram a me procurar, como a minha querida Roberta Spindler, autora de Contos de Meigan - A fúria dos cártagos (cuja sequência até hoje eu espero) e Torre Acima do Véu (que foi o corpus do meu TCC de Letras); outros, eu mesma procurei e fui estabelecendo parcerias: Flávia Cristina Simonelli (autora de Paixão e Liberdade, da Novo Século), Ricardo Guilherme dos Santos (autor de O Espaço Inexplorado), Dan Albuk (autor de Lerulian) e, posteriormente, Neyvile Lucas (autor de Sangue Traído - trilogia Potestates e Mar Noturno), que me fez falar em público para mais gente do que eu jamais sonhei falar, rs. E também o psicólogo Joacil Luis e seus vários livros de autoajuda. Vem sendo uma jornada incrível. [Agora, em 2020, firmei parceria com Marta Vasconcelos, pessoa que eu amo de coração e que escreveu Joquempô, o melhor conto de Carnaval que você lerá na vida, além de Ivan Campelo (autor de As Luzes de Recife e outros textos, que estão na Amazon).]

Nesse meio tempo, tive recaídas? Apenas todos os dias.
Senti dificuldades com o Curso? DEMAIS, estamos falando de Letras, y'all.
Nesse meio tempo, tive vontade de largar tudo e fugir com a Carreta Furacão? Tive, não nego.
Mas sobrevivi. E, se está vivendo esse problema, saiba que também é simples você sair da zona coberta pelo véu cinzento da Depressão. Só precisa encontrar uma nova paixão, algo que te arrebate do fundo e te leve ao alto!!

Entre 2011 e 2012, as coisas começaram a mudar e eu comecei a me reconstruir. Nesse contexto, foi que surgiram os meus contos: AR DE EVASÃO e O POETA, A DONZELA INSOLENTE E O LIVRO DO TEMPO. Sempre havia seleção para antologias de Editoras, em 2010 e 2011, e eu acabei concorrendo e sendo selecionada por uma delas, uma pelo Clube de Autores e outra, pela Editora Estronho. Já falei destas obras aqui.

Naquele momento, eu decidi que, seja lá o que eu viesse a fazer na minha vida, precisaria ter a ver com Livros e com Literatura. Quando o curso de Letras abriu, na cidadezinha onde meus pais moravam, eu vi como mais um sinal. O que era uma paixão de escola e infância, acabou sendo quem me fez reaprender a viver. Desde então, estou por aqui. Por isso, reluto a fechar meu blog e me afastar do Instagram. Entrar no curso de Letras, porém, teve um sério efeito colateral. Eu fiquei sem tanto tempo para ler quanto tinha naquela fase da depressão e crise de pânico, quando passava os dias trancada no quarto, sem forças pra levantar e ir além da cozinha.

Enfim, Mestra em Letras! (2019)
A Licenciatura foi a fase mais desafiadora da minha vida (Não curse Letras se você não tiver muito peito e coração forte) e, na sequência, em encarei o meu sonhado Mestrado. E também em outra sequência, estou no segundo ano do Doutorado e já sou professora concursada da rede pública. O mudo foi acometido de um vírus que está se provando um belo filho da mãe e tenho estado de quarentena desde então. Resolvi tornar esses dias mais produtivos para mim e escrever esse Diário. Que longa jornada, até aqui.

Comentários via Facebook

2 Comentários:

  1. Thay :)
    Como você está?
    Muito legal este post!
    A gente nunca sabe o tanto que a pessoa se esforça para manter um blog, ou o que a motivou a começar e manter na ativa.

    E obrigado pela lembrança e citação.
    Sei que não estou tão presente por aqui como antes, mas sempre que der eu apareço :)

    E hoje, por coincidência, é aniversário do meu blog. Agradeço a você também pelos anos de amizade.

    Beijos e se cuida
    www.rimasdopreto.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sempre, meu querido. Você é meu seguidor mais fiel até hoje! O Blog acabou perdendo um pouco espaço para o IG, mas ainda está vivo. Lutei muito por ele <3

      Obrigada, anjo!

      Excluir

Obrigada pela presença e participação! ATENÇÃO: Todos os comentários são moderados. Aqueles considerados inapropriados à nossa política serão automaticamente excluídos. Comentários anônimos não serão aceitos.